Oração, escuta, diálogo, discernimento para caminhar juntos. A missão dos cardeais até 7 de maio

Oração, escuta, diálogo, discernimento para caminhar juntos. Esse será o caminho, a missão que o povo de Deus espera que seja assumida pelos cardeais até 7 de maio, data que marca o início do Conclave em que será eleito o sucessor de Francisco.

Um caminho de quase 2000 anos

Nas próximas seis congregações gerais, o Colégio Cardinalício, mas especialmente os 134 cardeais que se espera entrem dentro da Capela Sistina no dia 7 de maio, são desafiados a colocar em prática a sinodalidade, a caminhar juntos. Em definitiva a ser Igreja, a superar as divisões, polarizações, enfrentamentos de todo tipo, para poder em comunhão escolher aquele que irá dar continuidade a um caminho iniciado quase 2000 anos atrás.

Estamos diante do Conclave mais diverso na história da Igreja. Dado o alto número de participantes, que demanda 89 votos para ser eleito, e a diversidade de procedências, não deve ser tarefa simples encontrar aquele que irá ocupar a Cátedra de Pedro. Daí a importância das congregações gerais, sempre necessárias, mas que podemos dizer são imprescindíveis neste momento prévio ao início do 267º Papado.

Desafio: conhecer todos os cardeais

Muitos dos cardeais não se conhecem. Dificilmente algum dos cardeais eleitores saberia reconhecer olhando as fotos, os nomes e o serviço desempenhado para cada um dos 134 participantes do Conclave. O conhecimento de cada um dos eleitores, uma tarefa que deve ser realizada até dia 6 de maio, poderá facilitar o propósito que quer ser alcançado na Capella Sistina: escolher o pontífice.

Cada um de nós, evidentemente também os cardeais eleitores, tem o retrato robô daquele que deve ser o próximo Papa. O desafio é superar aquilo que cada um espera, pois na primeira votação tudo indica, como é tradição na história dos conclaves, a diversidade de cardeais votados aponta a ser elevada. Para isso, se faz necessário, inclusive uma obrigação, escutar.

Gerar unidade na Igreja e no mundo

Escutar a Deus, escutar os outros cardeais eleitores e escutar o povo de Deus. Escutar para descobrir aquilo que a catolicidade, mas também a humanidade como um todo, espera do próximo pontífice. Um Papa que possa gerar unidade na Igreja, incentivar a comunhão, a sinodalidade, o caminhar junto. Mas também um Papa que ajude o mundo a superar a guerra em pedaços que estamos vivendo, a polarização cada vez mais presente na vida do dia a dia.

São elementos que devem ajudar no processo de discernimento, e assim descobrir o que Deus através de seu Espírito está querendo desses 134 cardeais, mas sobretudo o que Ele espera da Igreja. Uma Igreja profética, misericordiosa, samaritana, mais preocupada em curar as feridas dos descartados que seu próprio bem-estar.  

Luis Miguel Modino

7 de maio: o Colégio Cardinalício escolheu a data do Conclave

O Conclave que irá eleger o sucessor de Francisco já tem data marcada. Será na tarde de dia 7 de maio, depois de celebrar a Missa Pro Elegendo Pontífice na manhã da próxima quarta-feira. Isso foi decidido na Congregação Geral realizada nesta segunda-feira, 28 de maio, na Sala do Sínodo, no Vaticano.

Primeira Congregação Geral para o cardeal Steiner

Estavam presentes 180 cardeais, dentre eles mais de 100 eleitores. Dessas congregações, a quinta realizada desde seu início na terça-feira 22 de abril, um dia depois do falecimento de Papa Francisco, participou pela primeira vez o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos de Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner.

Segundo informações vaticanas, na quinta congregação teve perto de 20 intervenções, sendo refletido sobre a situação da Igreja nos dias de hoje, sua relação com o mundo, os desafios a serem enfrentados e as qualidades que devem estar presentes no próximo Papa.

Na congregação geral desta segunda-feira foram eleitos os três cardeais que irão ajudar o camarlengo, cardeal Kevin Joseph Farrell, na gestão das coisas ordinárias em preparação ao Conclave. Serão o arcebispo de Munique e Freising (Alemanha), cardeal Reinhard Marx, o pro-prefeito do Dicastério para a Evangelização, cardeal Luis Antônio Tagle, e o prefeito do Supremo Tribunal da Sinatura Apostólica, cardeal Dominique Mamberti.

Tempo de diálogo e escuta

O fato da data de início do Conclave para dia 7 de maio, poderia ter sido escolhida uma data entre 5 e 10 de maio, pode ser visto como sinal do desejo dos cardeais de ter mais tempo de diálogo e escuta, em vista de poder escolher um Papa que irá assumir o Papado número 267 na história da Igreja católica. Amanhã, 9 horas, será realizada uma nova congregação geral, que iniciará com uma pregação do abade da Basílica de São Paulo Fora dos Muros, dom Donato Ogliari.

As congregações gerais serão encerradas na terça-feira, 6 de maio, exceto 1º de maio e domingo dia 4. Os trabalhos iniciam 9 horas da manhã e encerram 13 horas da tarde, no horário de Roma, seis horas a menos em Manaus.

Luis Miguel Modino

Cardeal Steiner agradece no velório do Papa por “nos despertar para com o cuidado para com a Amazônia”

Uma mistura de sentimentos está presente no coração passando diante do corpo daquele que tem sido uma luz para a humanidade e para a grande maioria dos 1,4 bilhão de católicos do mundo nos últimos 12 anos, embora a multidão de pessoas presentes exija que isso seja feito rapidamente.

Reconhecimento de todo o mundo

O velório de Papa Francisco, que será sepultado neste sábado na Basílica de Santa Maria Maggiore, após o funeral na Praça de São Pedro, é um sinal de reconhecimento por parte das pessoas de todo o mundo. Mas também pelas mais de 200 delegações oficiais que viajaram a Roma para mostrar suas condolências.

De uma dessas periferias veio o arcebispo de Manaus, o cardeal Leonardo Ulrich Steiner. A Amazônia sempre ocupou um lugar especial no coração do último pontífice. Lembro-me da última vez que tive a oportunidade de cumprimentá-lo brevemente, quando lhe contei que minha missão era ser pároco na Área Missionária de San José do Rio Negro, na arquidiocese de Manaus, composta por 26 comunidades indígenas e ribeirinhas. Francisco respondeu: “Que missão linda!

Muito a agradecer a Papa Francisco

Um carinho que também está presente naqueles que vivem nessas e em tantas outras comunidades Amazônia afora, que pediram nesses dias que eu também levasse suas vidas para o velório do Papa. Um sentimento de gratidão que o Cardeal Steiner trouxe para Roma. Logo após rezar diante do caixão de Francisco, instalado na Basílica de São Pedro, o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) ressaltou que “nós da Amazônia temos muito a agradecer a Papa Francisco por de novo trazer a Amazônia para a discussão, mas especialmente nos despertar para com o cuidado para com a Amazônia”.

O arcebispo de Manaus ressaltou que “não só a região amazônica, mas os povos que ali vivem, as culturas”. Segundo o Cardeal Steiner, “tudo isso nós somos muito gratos ao Papa Francisco por nos ter ajudado a repensar e ajudar a incentivar as nossas comunidades a viverem a sua fé nessa realidade da Amazônia”, concluindo suas breves palavras com um “muito obrigado, Papa Francisco”.

O Cardeal Steiner é alguém profundamente alinhado com o Magistério do Papa Francisco, tendo promovido de várias maneiras a sinodalidade, o cuidado com os pobres, especialmente a população em situação de rua, o cuidado com a casa comum, o protagonismo das mulheres e a defesa dos povos indígenas. Soma-se a isso sua grande devoção, como franciscano, a Francisco de Assis, incentivando constantemente a descoberta da presença de Deus em todas as criaturas, sentimento presente no conceito de ecologia integral, promovido pelo Papa argentino.

Gratidão do povo brasileiro

Esse sentimento de gratidão a Francisco também está muito presente nos dias de hoje entre o povo brasileiro. Ele é um Papa muito querido no Brasil, a ponto de, em uma ocasião, um cardeal brasileiro ter dito a Papa Francisco que ele havia conseguido realizar um milagre durante sua vida, que os brasileiros gostassem de um argentino, fazendo o Papa dar uma gargalhada.

Uma grande delegação do governo brasileiro prestou suas condolências diante do caixão do Papa, encabeçada pelo presidente Lula, um admirador declarado do pontífice, sua esposa Janja, os presidentes do Congresso, do Senado, do Supremo Tribunal Federal, ministros, parlamentares e a ex-presidente Dilma, que admitiu, como também era visível em Lula, que estava abalada com a morte de Francisco.

Padres e lideranças indígenas destacam significado do Jubileu 2025 em Roraima

Padres e lideranças indígenas destacam significado do Jubileu 2025 em Roraima

O evento segue até este sábado, na Raposa Serra do Sol.

Padres e lideranças indígenas destacam significado do Jubileu 2025 em Roraima
Pablo Sérgio bezerra – Rádio Monte Roraima

Diocese de Roraima realiza, pela primeira vez, o Jubileu dos Povos Indígenas. A celebração, que acontece em meio às comunidades originárias do estado, propõe um ano de renovação da fé, denúncia das injustiças e valorização da caminhada histórica dos povos indígenas ao lado da Igreja Católica.

Segundo o padre Mattia, da Pastoral Indigenista, o Jubileu é um tempo de graça que convida à reflexão e à ação. “Não é possível pedir perdão a Deus sem sentir as dores do mundo. E entre essas dores, está a negação dos direitos dos povos originários, que há séculos lutam pelo respeito à sua vida e à sua terra”, destacou.

Para ele, o Jubileu é um sinal de esperança, que deve acender o olhar da sociedade para as feridas abertas pelas desigualdades. “O marco temporal é só um dos muitos desafios enfrentados. Também há carência de saúde, educação e oportunidades para a juventude e as mulheres indígenas. O Jubileu é como um refletor que a Diocese acende sobre essa realidade, reafirmando o compromisso com a vida e os direitos fundamentais.”

A celebração também é um gesto de proximidade da Igreja com os povos indígenas, como reforça o missionário padre Joseph Mugerwa, que atua há oito anos na região do Surumu, Raposa Serra do Sol. “Para as comunidades, o Jubileu não é apenas uma festa da Igreja, é a festa dos povos indígenas. É um momento de lembrar que Deus sempre esteve ao lado deles, e que a Igreja nunca os abandonou nessa caminhada.”

Padre Joseph destaca a expectativa e a mobilização nas diferentes regiões do estado: “Amajari, Serra da Lua, São Marcos, Tabaio, Boa Vista… todas estão se organizando com muito entusiasmo. É um marco histórico, especialmente porque também teremos a ordenação de um diácono indígena. Para o povo, isso representa uma grande conquista, ver um deles assumindo um papel dentro da Igreja.”

 Na foto estão: De azul, o missionário padre Joseph Mugerwa, que atua há oito anos na região do Surumu
padre Paulo da Conceição Fernando Mzé, Superior Regional dos Missionários da Consolata
no Brasil, e a jornalista Dennefer Costa.

 

padre Paulo da Conceição Fernando Mzé, Superior Regional dos Missionários da Consolata no Brasil, também veio de São Paulo para participar do Jubileu. Ele acompanha de perto o trabalho dos missionários na Amazônia, onde a congregação atua há 76 anos. “A nossa presença missionária sempre teve como prioridade os povos indígenas. Celebrar esse Jubileu é reconhecer a importância desse povo para a história do Brasil e da Igreja.”

O Superior reforça que sua visita é também uma forma de animação e escuta dos missionários e das comunidades. “Estamos aqui para afirmar que a missão da Igreja precisa ser feita com e para os povos indígenas. Esse Jubileu é um testemunho da fé viva dessas comunidades, da resistência e da esperança que brota do coração da Amazônia.”

Gilmara Barbosa, representante do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), destacou a importância simbólica e pastoral desse momento:
“Celebrar os 300 anos de evangelização com o protagonismo indígena é reconhecer a história viva e a fé encarnada nos povos originários. É uma resposta concreta aos apelos do Papa Francisco por uma Igreja com rosto amazônico, indígena e comprometida com a justiça e a vida.”

O Jubileu, que vem da palavra hebraica “Yobel” — um instrumento antigo que anunciava um tempo de libertação e graça —, é, segundo os missionários, um convite à conversão da sociedade diante das feridas causadas pela omissão e pela violência histórica contra os povos originários.

A expectativa é que o evento fortaleça os laços entre a Igreja e os povos indígenas, e ecoe uma mensagem clara: a vida, a cultura e os direitos dos povos indígenas devem ser respeitados e celebrados.

 FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa – Rádio Monte Roraima

Jubileu dos Povos Indígenas começa com seminário que resgata a memória e reafirma compromisso da Igreja de Roraima

Jubileu dos Povos Indígenas começa com seminário que resgata a memória e reafirma compromisso da Igreja de Roraima

O evento está ocorrendo no Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol, reunindo fiéis indígenas e não indígenas.

Jubileu dos Povos Indígenas começa com seminário que resgata a memória e reafirma compromisso da Igreja de Roraima

Pablo Sérgio bezerra

Foi dado início nesta sexta-feira, 25 de abril, ao Jubileu dos Povos Indígenas em Roraima. A abertura foi marcada pelo seminário “Memória e compromisso da Igreja de Roraima com os povos indígenas”, realizado no Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol. O evento é um marco no calendário da Diocese de Roraima e reúne representantes de diversas etnias, missionários, religiosas e religiosas, lideranças tradicionais e convidados de várias regiões do Brasil.

Foto: Pablo Sérgio bezerra – Rádio Monte Roraima FM 

Com o tema “Somos peregrinos e peregrinas da esperança”, o jubileu celebra os 300 anos de evangelização da Igreja no Brasil, mas com um olhar especial: a aliança histórica entre os povos indígenas e a Igreja Católica, construída ao longo de décadas por meio da resistência, da fé e da solidariedade.

Logo pela manhã, o bispo de Roraima e presidente da REPAM-Brasil, Dom Evaristo Spengler, deu as boas-vindas aos participantes, destacando a importância simbólica e espiritual da celebração.“Estamos muito felizes por celebrar esse jubileu. A aliança dos povos indígenas com a Igreja é uma aliança histórica que sempre produziu frutos, como a demarcação e a homologação de terras. Estamos lembrando aqui uma caminhada de fé que fortalece, une e nos dá força para continuar lutando pelos direitos dos povos indígenas”,disse.

O evento também contou com a presença de Padre Ronaldo, missionário vindo de São Paulo, e do Padre Pedro, reitor do Seminário Arquidiocesano de Manaus, que destacou o impacto espiritual da convivência com os povos originários “ Sinto aqui a grandeza da vida, da espiritualidade, da união e da fé desse povo. É algo bonito de se ver e de sentir”, completou Dom Evaristo.

Foto: Pablo Sérgio bezerra – Rádio Monte Roraima FM 

A professora Márcia Maria, da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM Brasil), ressaltou o caráter inédito da celebração. “É uma alegria acompanhar esse momento tão importante. Me parece ser o único jubileu da Igreja em nível nacional que eleva os povos indígenas como protagonistas. A Diocese de Roraima historicamente assumiu a causa indígena como missão. Esse jubileu é um marco para toda a Igreja”, relatou.

Já o coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Amarildo Macuxi, destacou o simbolismo do mês de abril para os povos indígenas. “Abril é o mês da resistência. Estamos aqui celebrando esse jubileu com muita alegria, com a presença de várias comunidades e missionários. A história da evangelização em nossos territórios começou em 1915, e desde então formou-se uma aliança entre as lideranças indígenas e a Igreja”,disse.

O seminário se estende ao longo do dia com mesas-redondas e debates, preparando o espírito dos participantes para os demais dias do Jubileu, que segue com atividades litúrgicas, culturais e celebrações até o fim de semana.

A celebração conta ainda com a chegada de representantes da CRB Nacional (Conferência dos Religiosos do Brasil), da FUNAI e de outras instituições ligadas à causa indígena, confirmando o alcance e a relevância nacional do evento.

Este Jubileu não apenas recorda o passado, mas também lança esperança sobre o futuro. Um futuro onde a fé e a luta dos povos originários seguem caminhando juntas, alimentadas pela espiritualidade, pelo compromisso e pela justiça.

 FONTE/CRÉDITOS: Filipe Gustavo

Surumu celebrará Jubileu dos Povos Indígenas e reafirma papel histórico na luta por direitos

Surumu celebrará Jubileu dos Povos Indígenas e reafirma papel histórico na luta por direitos

Local onde nasceram as primeiras assembleias indígenas de Roraima recebe encontro que resgata memória, e resistência dos povos da Raposa Serra do Sol.

Surumu celebrará Jubileu dos Povos Indígenas e reafirma papel histórico na luta por direitos
Foto Lucas Rosseti – Rádio Monte Roraima fm

A Terra Indígena Raposa Serra do Sol, palco de uma das mais emblemáticas lutas pela demarcação de terras no Brasil, volta a ser centro de mobilização, memória e espiritualidade com a realização do Jubileu dos Povos Indígenas neste fim de semana. O evento ocorrerá na região do Surumu, onde a caminhada pela autonomia e pelos direitos dos povos originários de Roraima teve início ainda na década de 1970.

Mais que uma celebração, o Jubileu marca um reencontro com a história e com os princípios que nortearam as primeiras assembleias dos tuxauas, líderes tradicionais que, enfrentando violência e invasões, decidiram se unir para proteger suas terras, culturas e modos de vida. Foi justamente em uma dessas assembleias, realizada na comunidade Barro, em 1971, que germinou a semente de uma grande organização indígena.

Padre Giorgio Dal Bem, missionário italiano que chegou à Raposa Serra do Sol em 1972 e fundou a Missão Maturuca, destaca a profundidade histórica e espiritual deste momento:


“A partir da Palavra, passou-se a um projeto de Deus, e essa jornada foi muito frutífera. Em 1977, houve uma reunião histórica aqui chamada de ‘ou vai ou racha’, na qual algumas lideranças do povo decidiram abandonar a bebida e a desunião, buscando garantir a vida do povo indígena e da comunidade. Desde então, desenvolveram muitos projetos ao longo dessa história.”

Esse encontro, conhecido como a Assembleia do Vai ou Racha, ocorreu na comunidade indígena Maturuca, e representou um divisor de águas. Além de romper com o uso de bebidas alcoólicas, que fragilizavam as comunidades, as lideranças decidiram fortalecer a unidade entre as regiões. Dessa decisão nasceram os conselhos regionais — estruturas que permitiram maior articulação e resistência frente à exploração ilegal das terras por fazendeiros, garimpeiros e outros invasores.

O Conselho Indígena de Roraima (CIR), hoje referência na luta pelos direitos indígenas, teve suas raízes lançadas nesses encontros. A formalização do CIR ocorreu em 1990, logo após a transformação de Roraima em estado, mas a trajetória de organização coletiva vinha de duas décadas antes. Um dos primeiros conselheiros regionais foi o tuxaua Gabriel Macuxi, da região Raposa.

A terra Raposa Serra do Sol foi por décadas alvo de disputas e violência. A luta pelo reconhecimento e pela demarcação durou mais de 30 anos, com confrontos que deixaram marcas profundas nas comunidades. Muitos indígenas foram expulsos, outros assassinados, mas a resistência permaneceu firme. Em 2005, a terra foi finalmente homologada, tornando-se um marco jurídico e político para os direitos indígenas no Brasil.

Projetos como “Uma vaca para o índio”, lançado em 1980 para incentivar a criação comunitária de gado, também surgiram nesse contexto de reconstrução e fortalecimento das comunidades. O projeto permanece até hoje como símbolo da autonomia econômica indígena.

Além da luta pela terra, o Jubileu celebra também conquistas em áreas essenciais como saúde e educação. A criação do Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena, a formação de professores e agentes de saúde indígena, e a implantação do Grupo de Proteção e Vigilância Territorial (GPVIT) são frutos desse longo percurso de resistência.

O evento deste fim de semana é uma continuidade do Jubileu de Ouro da Missão Maturuca, celebrado em 2023 com grandes momentos de espiritualidade, como a romaria com a Cruz Peregrina, a missa solene com Crisma e homenagens às lideranças e missionários que caminharam junto aos povos. Na ocasião, Dom Evaristo Pascoal Spengler destacou: “Essa missão é um testemunho de compromisso e transformação.”

 

 FONTE/CRÉDITOS: Kayla Silva sob supervisão de Dennefer Honorato

Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Povos Indígenas em evento histórico no Surumu

Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Povos Indígenas em evento histórico no Surumu

Encontro marca 300 anos de evangelização com seminário, peregrinação e ordenação diaconal de jovem indígena.

Diocese de Roraima celebra Jubileu dos Povos Indígenas em evento histórico no Surumu
Fotos: Lucas Rossetti – Rádio Monte Roraima Fm

Nos dias 25 e 26 de abril de 2025, a Diocese de Roraima realizará o Jubileu dos Povos Indígenas, no Centro Indígena de Formação e Cultura (Surumu), na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, território marcado pela resistência e pela história de luta dos povos originários.

 O evento, que integra as comemorações pelos 300 anos de evangelização na região, também celebra o Jubileu da Esperança — convocado pelo Papa Francisco (In Memoriam) para 2025. Em meio à dor da perda do Pontífice, que dedicou seu pontificado aos pobres e marginalizados e à defesa dos povos indígenas, a Diocese optou por manter a programação como forma de honrar seu legado de esperança e compromisso com os mais vulneráveis.

Sob o tema “Somos peregrinos e peregrinas da esperança”, a programação inclui reflexões, testemunhos, celebrações culturais e uma grande peregrinação, culminando com a Ordenação Diaconal do seminarista indígena Djavan André da Silva, um jovem Macuxi, se tornará o primeiro diácono de sua etnia. O momento celebra a harmonia entre a fé católica e as culturas tradicionais

Fotos: Lucas Rossetti – Rádio Monte Roraima Fm

“Surumu é um lugar sagrado de luta e esperança. Aqui, reafirmamos nosso compromisso com os povos originários, especialmente diante das ameaças do garimpo ilegal e do Marco Temporal”, destacou o bispo de Roraima, dom Evaristo Pascoal Spengler.

  Dom Leonardo Steiner, presidente do CIMI, dirigiu-se afetuosamente aos presentes, saudando especialmente os irmãos e irmãs indígenas. “Queridos irmãos e queridas irmãs, queridos irmãos indígenas, queridas irmãs indígenas, querido irmão Dom Evaristo.   Quantas lutas, quantas mortes, quantas lutas e quantas conquistas, porque viveram da esperança. A esperança fortifica o coração de cada um, de cada uma, e que essa luta nós possamos fazer juntos, para que a dignidade, a cultura, a fé de cada um, de cada uma, de cada povo, possa ser levada em consideração e sejam respeitadas. Deus abençoe a cada um. Vamos viver esse ano jubilar na esperança”, finalizou.

Programação

25 de abril – Sexta-feira

08h às 17h – Seminário “Memória e compromisso da Igreja de Roraima com

os povos indígenas”

Um espaço de escuta, partilha e análise sobre a caminhada da Igreja junto aos povos indígenas, reconhecendo lutas, avanços e desafios, à luz do Evangelho e da missão eclesial na Amazônia.

26 de abril – Sábado

08h30 – Concentração no Aeroporto de Surumu

09h00 – Peregrinação rumo ao Centro Indígena de Formação

Celebração Eucarística com a Ordenação Diaconal de Djavan André da Silva

 FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Honorato – Rádio Monte Roraima fm

Diocese de Roraima divulga programação da Semana Santa 2025 com celebrações em Boa Vista e no interior

Diocese de Roraima divulga programação da Semana Santa 2025 com celebrações em Boa Vista e no interior

A programação oficial da Semana Santa 2025, que acontecerá de 12 a 20 de abril em todas as paróquias da capital e do interior do estado.

Diocese de Roraima divulga programação da Semana Santa 2025 com celebrações em Boa Vista e no interior

A Diocese de Roraima divulgou nesta semana a programação oficial da Semana Santa 2025, que acontecerá de 12 a 20 de abril em todas as paróquias da capital e do interior do estado. Neste ano, um fato raro marca o período: a coincidência das datas da Páscoa Cristã e da Páscoa Judaica (Pessach), que serão celebradas simultaneamente por cristãos e judeus, em virtude do alinhamento entre os calendários solar e lunar.

O bispo diocesano Dom Evaristo Pascoal Spengler, junto com os párocos e coordenadores de comunidades, convida os fiéis a vivenciarem intensamente os momentos da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A Semana Santa é considerada o tempo mais importante para os cristãos católicos, marcado por momentos de oração, silêncio, jejum, reflexão e esperança.

Em mensagem à comunidade, o padre Luiz Botteon destacou que “a liturgia da Semana Santa nos ajuda a compreender o amor incondicional de Deus por nós, revelado na entrega de Jesus. Cada rito, cada gesto, cada silêncio tem um profundo significado espiritual”.

A programação inclui as tradicionais celebrações do Domingo de Ramos, Missa dos Santos Óleos, Tríduo Pascal e Domingo da Ressurreição, com atividades em todas as regiões pastorais. Celebrações especiais também estão previstas nas áreas missionárias e comunidades do interior.

 

PROGRAMAÇÃO COMPLETA DAS PARÓQUIAS E COMUNIDADES

PROGRAMAÇÃO COMPLETA DAS PARÓQUIAS E COMUNIDADES

           PARÓQUIA SÃO JERÔNIMO – BOA VISTA/RR

Comunidades: Imaculada Conceição, Santa Clara, Nossa Senhora das Graças

Quinta-feira Santa (17/04): 19h30 – Missa da Ceia do Senhor com o rito do lava-pés

Sexta-feira Santa (18/04): 5h – Via-Sacra (saída da comunidade Santa Clara e chegada na comunidade N. Sra. das Graças)15h – Celebração da Paixão e Morte do Senhor (em todas as comunidades)

Sábado Santo (19/04): 19h – Vigília Pascal (em todas as comunidades)

Domingo de Páscoa (20/04): Missas nas três comunidades (horários definidos localmente)

 ÁREA MISSIONÁRIA SANTA ROSA DE LIMA – BOA VISTA/RR

Comunidades: Santa Inês, São Sebastião, N. Sra. da Luz, Santa Rosa de Lima, São Lucas, N. Sra. de Fátima, Sagrado Coração de Jesus, São Lázaro

Domingo de Ramos (13/04): Missas com bênção dos ramos em todas as comunidades

Quinta-feira Santa (17/04): 19h – Missa da Ceia do Senhor com lava-pés

Sexta-feira Santa (18/04): 6h – Via-Sacra nas comunidades Sagrado Coração e N. Sra. de Fátima15h – Celebração da Paixão e Morte do Senhor

Sábado Santo (19/04): 20h – Vigília Pascal (comunidade São Sebastião)

Domingo de Páscoa (20/04): Missas nas comunidades (programação local)

ÁREA MISSIONÁRIA SÃO JOÃO BATISTA – DIOCESE DE RORAIMA

DOMINGO DE RAMOS (13/04) Nossa Senhora Auxiliadora – 08h30São João Batista – 09h00Santa Edwiges – 18h00Divino Espírito Santo – 19h30

QUINTA-FEIRA SANTA (17/04) São João Batista – 19h30Nossa Senhora da Saúde – 19h30

SEXTA-FEIRA SANTA (18/04) São João Batista – 15h00Nossa Senhora do Livramento – 15h00 Via-Sacra – 05h10

SABADO SANTO (19/04)Santíssima Trindade – 19h00São João Batista – 19h30

DOMINGO SANTO (20/04)Nossa Senhora de Nazaré – 07h30São Frei Galvão – 09h00

Santo Expedito – 09h00Santa Teresinha – 19h00Nossa Senhora de Fátima – 19h30

PARÓQUIA CATEDRAL CRISTO REDENTOR – BOA VISTA/RR

Locais: Catedral Cristo Redentor, Matriz N. Sra. do Carmo, Igreja Menino Jesus

Domingo de Ramos (13/04):

Missas: 7h30, 9h30, 11h15 e 19h30

Terça-feira Santa (15/04): 19h –

Missa dos Santos Óleos com todo o clero da Diocese (Catedral)

Quarta-feira (16/04):  

18h30 – celebração penitencial e reconciliação ( Matriz n sª do Carmo)

19h30 – celebração penitencial e reconciliação (Catedral)

Quinta-feira Santa (17/04):  

18h00 – Celebração do do lava-pés – (Matriz N.Sª do Carmo)19h30 – Celebração do do lava-pés – (Catedral)

Sexta-feira Santa (18/04):  

5h30 – Via-Sacra 11h – Celebração da Paixão e Adoração da Cruz – (Matriz N.Sª do Carmo)

15h – Celebração da Paixão e Adoração da Cruz – (Catedral)

Sábado Santo (19/04):

18h00 – Vigília Pascal (Matriz N.Sª do Carmo)

19h30 – Vigília Pascal   (Catedral)

Domingo de Páscoa (20/04):Missas em diversos horários nas três igrejas

SANTUÁRIO NOSSA SENHORA APARECIDA – BOA VISTA/RR

DIA 12/04 (SÁBADO) – DOMINGO DE RAMOS18h – Celebração de Ramos da Catequese

DIA 13/04 (DOMINGO DE RAMOS)09h – Missa com bênção de ramos

DIA 14/04 (SEGUNDA-FEIRA SANTA)18h30 – Terço dos Homens19h – Santa Missa

DIA 15/04 (TERÇA-FEIRA SANTA)19h – Missa dos Santos Óleos (Catedral) Não haverá missa no Santuário

DIA 16/04 (QUARTA-FEIRA SANTA)18h30 – Oração das Dores de Nossa Senhora19h – Santa Missa

DIA 17/04 (QUINTA-FEIRA SANTA)19h30 – Missa da Instituição da Eucaristia (Lava-pés) Até 22h – Adoração ao Santíssimo Sacramento

DIA 18/04 (SEXTA-FEIRA SANTA) 05h30 – Via-Sacra (da Matriz ao Santuário) 07h – Apresentação teatral (Palco do Santuário) 08h-12h – Confissões13h-18h – Confissões09h – Via-Sacra (Catequese e famílias)10h – Hora Santa Eucarística (Ministros)15h – Paixão do Senhor (Adoração da Cruz)18h – Procissão do Senhor Morto + Via-Sacra

DIA 19/04 (SÁBADO SANTO)Durante todo o dia – Confissões19h – Vigília Pascal – TRAZER: sal, água e vela para bênção

DIA 20/04 (DOMINGO DE PÁSCOA)09h – Missa Pascal (com catequizandos)18h – Missa Pascal

OUTRAS PARÓQUIAS E CIDADES DO INTERIOR

PARÓQUIA SÃO MATEUS – BOA VISTA/RR

 SÁBADO (12/04)18h00 – Missa na Igreja São Mateus

DOMINGO DE RAMOS (13/04) 08h00 – Missa na Igreja Santíssimo Sacramento18h30 – Missa na Igreja São Mateus

QUINTA-FEIRA SANTA (17/04)05h30 – Missa do Lava-pés na Igreja Santíssimo Sacramento18h30 – Missa na Igreja São Mateus

SEXTA-FEIRA SANTA (18/04) 05h30 – Via-Sacra (saída da Matriz até o Santuário N. Sra. Aparecida)15h00 – Celebração da Paixão na Igreja N. Sra. da AnunciaçãoConfissões após a celebração

SÁBADO SANTO (19/04)18h30 – Vigília Pascal na Igreja São Mateus

DOMINGO DE PÁSCOA (20/04)08h00 – Missa na Igreja Santíssimo Sacramento10h30 – Missa na Igreja N. Sra. da Anunciação18h30 – Missa na Igreja São Mateus

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA CONSOLATA – BOA VISTA/RR

 Paróquia Nossa Senhora da Consolata

SÁBADO (12/04/2025) -17h00 – Comunidade Santo Expedito 18h00 – Comunidade São Vicente19h30 – Comunidade Santo Expedito

DOMINGO (13/04/2025) – Domingo de Ramos Celebrações em todas as comunidades da paróquia

QUINTA-FEIRA SANTA (17/04/2025) 18h00 – Santa Missa da Ceia do Senhor (com lava-pés)

SEXTA-FEIRA SANTA (18/04/2025)05h00 – Via Sacra15h00 – Celebração da Paixão de Cristo (com beijo da cruz)

SÁBADO SANTO (19/04/2025)18h00 – Santa Missa da Vigília Pascal

DOMINGO DE PÁSCOA (20/04/2025)

 Santa Missa em todas as comunidades da paróquia

PARÓQUIA SÃO FRANCISCO – BOA VISTA/RR

DOMINGO DE RAMOS (13/04)Igreja São Francisco

7h | 9h30 | 19h30 Comunidade São Pedro

17h

SEGUNDA-FEIRA SANTA (14/04)Comunidade São Pedro

19h – Missa das Trevas

TERÇA-FEIRA SANTA (15/04)Novenas:

6h30 | 17h | 18h15Não haverá missa às 19h30 (Missa dos Santos Óleos na Catedral)

QUARTA-FEIRA SANTA (16/04)Comunidade São Paulo

19h – Missa do Perdão

QUINTA-FEIRA SANTA (17/04)Comunidade São Francisco

19h – Santa Ceia e Lava-pésAdoração ao Santíssimo até 00h

SEXTA-FEIRA SANTA (18/04) Comunidade São Francisco

15h – Celebração da Paixão (Beijo da Cruz)

SÁBADO SANTO (19/04)Comunidade Santo André

19h – Vigília Pascal

DOMINGO DE PÁSCOA (20/04) Igreja São Francisco

7h | 9h30 | 19h30

Comunidade São Pedro

17h

 PARÓQUIA NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO – MUCAJAÍ/RR

 DOMINGO DE RAMOS (13/04)17h00 – ProcissãoSaída: Capela Nossa Senhora Consolata Missa: Igreja São Francisco de Assis

QUARTA-FEIRA SANTA (16/04)19h30 – Missa PenitencialCelebrante: Dom Evaristo Pascoal Spengler (Bispo Diocesano)Local: Cenário Cenográfico da Paixão de Cristo

QUINTA-FEIRA SANTA (17/04)19h30 – Missa da Ceia do Senhor (com Lava-pés)Local: Igreja Matriz Nossa Senhora de Fátima

SEXTA-FEIRA SANTA (18/04)06h00 – Via Sacra 08h-15h – Adoração ao Santíssimo Sacramento15h00 – Celebração da Paixão e Morte do SenhorLocal: Igreja Matriz Nossa Senhora de Fátima

SÁBADO SANTO (19/04)19h30 – Solene Vigília PascalLocal: Igreja Matriz Nossa Senhora de Fátima

DOMINGO DE PÁSCOA (20/04)Missas da Ressurreição em todas as comunidades (horários locais)

PARÓQUIA SÃO JOSÉ OPERÁRIO – CARACARAÍ/RR

DOMINGO DE RAMOS (13/04)17h00 – Procissão SoleneSaída: Santuário Nossa Senhora do LivramentoMissa: Igreja São José Operário

QUINTA-FEIRA SANTA (17/04)20h00 – Missa da Ceia do Senhor (com Lava-pés) Local: Igreja São José OperárioÚnica celebração deste dia

SEXTA-FEIRA SANTA (18/04)15h00 – Celebração da Paixão do SenhorLocal: Igreja São José Operário

SÁBADO SANTO (19/04)

 20h00 – Solenidade da Vigília Pascal

Local: Igreja São José Operário

DOMINGO DE PÁSCOA (20/04)

 17h00 – Missa Pascal

Local: Santuário Nossa Senhora do Livramento

19h00 – Missa Pascal

Local: Igreja São José Operário

A Diocese orienta que os fiéis consultem as secretarias paroquiais para confirmar horários específicos de confissões e outras atividades locais. Cada comunidade também poderá adaptar a programação de acordo com suas realidades.

Proteção contra Abusos no Regional Norte 1: Ser uma Igreja que cuida, que sabe consolar

O Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) tem como causa permanente em suas Diretrizes para a Ação Evangelizadora o enfrentamento ao abuso sexual e a exploração de crianças e adolescentes. Uma urgência que tem avançado com passos concretos que ajudam a ir adiante no caminho percorrido pelo Regional e pelas nove igrejas locais que fazem parte dele.

Formação e partilha dos passos dados

Nesse caminho, o encontro da Comissão Ampliada de Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis do Regional Norte1, que está acontecendo em Manaus de 4 a 6 de abril de 2025, está sendo um momento de grande importância. Um espaço de formação, mas também um momento de partilha dos passos que estão sendo dados como Regional Norte 1 e como igrejas locais.

Esse caminho comum como Regional Norte 1 é algo muito presente no trabalho da comissão ampliada. Diante das dificuldades que existem na região, o trabalho como comissão é um modo de “nós como Igreja ajudar”, segundo o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, cardeal Leonardo Ulrich Steiner. Ele insistiu em que é “uma verdadeira pastoral, porque se trata do cuidado”, mostrando o grande esforço dos bispos das nove igrejas locais, dado que “nós queremos como Igreja trabalhar juntos.”

Aprender a cuidar, estar presentes, consolar

Com relação ao encontro, o presidente do Regional Norte 1 ressaltou sus importância, “para irmos devagarinho entrando na dinâmica que a Igreja pede e para trocar ideias que permitam ajudar às famílias.” Daí a necessidade de “aprender para podermos ser uma Igreja que cuida, uma Igreja que esteja presente, uma Igreja que sabe consolar”, e faz isso como Regional. Um aprendizado mútuo, dado que “às vezes a gente não sabe”, afirmou.

É por isso que “todos queremos aprender como podemos melhor servir, um serviço evangelizador porque é um serviço de escuta, é um serviço de cura”, seguindo o exemplo de Jesus, que cura primeiro o coração, a alma. O cardeal Steiner enfatiza que “podemos dar uma grande colaboração como Igreja, aos poucos isso vai entrando nas comunidades.” Nesse sentido, o arcebispo de Manaus relata situações de pessoas adultas que foram abusadas sendo crianças, “mas a ferida está aí”, o que demanda, segundo ele, “ver como dar uma resposta a essas pessoas.”

O presidente do Regional Norte 1 agradeceu explicitamente a participação de cada um e cada uma que faz parte da comissão ampliada, “numa iniciativa da Igreja do Regional para o cuidado”, que ele define como “disponibilidade de irmos aprendendo para melhor servir.” Essa é uma experiência única no Brasil, o trabalho conjunto como Regional no enfrentamento ao abuso e exploração de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis.

Um caminho que vai se concretizando

Um caminho que vai se concretizando de diversos modos nas igrejas locais do Regional Norte 1, que estão realizando formação em diversos níveis, algo que ajuda a perceber a seriedade dessa temática e dessa prática do combate ao abuso e exploração de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis. Um caminho que ajuda a aprender novos conceitos, daí a importância do “Decreto, Regulamento e Manual de Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis”, elaborado pelo Regional Norte 1, e que é visto pelos membros da comissão ampliada como um norte no trabalho, não só para a Igreja católica como para a sociedade para trabalhar na linha da prevenção.

Nessa perspectiva, se faz necessário, como foi partilhado no encontro, a necessidade de cuidar e deixar se cuidar. Para isso, está sendo apresentado o Manual nas assembleias diocesanas, o que ajuda o povo a tomar consciência. Um trabalho que também está sendo realizado com os catequistas e outras pastorais e espaços eclesiais. Isso ajuda a, diante de um tema muito delicado, o povo ter esperança de que a Igreja está tendo cuidado, a Igreja está se interessando na prevenção, está aprendendo a caminhar.

Uma temática a ser conhecida pelas lideranças

Algo presente na realidade do Regional Norte 1, que também condiciona o trabalho da comissão, são as grandes distancias dentro das igrejas locais. Não pode ser esquecido que esse é um tema que precisa de conscientização, ainda mais diante da rejeição de algumas pessoas ao trabalho de prevenção. Se faz necessário aprofundar cada vez mais no conhecimento do Manual, que seu conteúdo seja levado ao conhecimento do povo. Um trabalho, que dada a realidade de algumas igrejas do Regional Norte 1 ultrapassa as fronteiras do Brasil.

Um encontro que pretende ajudar a perceber em que nível está cada Igreja local para diante da diversidade poder articular o trabalho em rede. Para isso, se pretende avançar na construção da Rede de Proteção, de um sistema de garantia de direito, a partir daquilo que já se tem no Regional e cada uma das nove igrejas locais, em vista de um melhor atendimento e acompanhamento, sempre em conexão, em rede.

Luis Miguel Modino

Proteção de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis: “Que em qualquer suposto abuso, ele não deixe de encontrar um espaço de escuta”

Recordar a própria infância e adolescência é uma atitude que ajuda a se colocar no lugar dos outros, sobretudo no lugar daqueles que sofrem em consequência do abuso e exploração de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis. Essa recordação foi o ponto de partida do encontro da Comissão Ampliada de Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que acontece em Manaus de 4 a 6 de abril de 2025, com a participação de quase 30 representantes das nove igrejas locais do Regional.

Capacitar para atuar de maneira eficaz

Um encontro para contribuir na capacitação da comissão ampliada, proporcionando-lhes o conhecimento e as habilidades necessárias para atuar de maneira eficaz e sensível na prevenção ao abuso, exploração sexual de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis.

O Papa Francisco insiste em que “cuidar é compartilhar paixão eclesial e competências com o compromisso de formar o maior número possível de agentes pastorais. Desta forma promove-se uma verdadeira mudança cultural que coloca os mais pequenos e mais vulneráveis no centro da Igreja e da sociedade”, um pano de fundo presente no encontro.

Cuidar para que exista uma cultura de proteção

A dívida com as crianças, adolescentes e adultos vulneráveis é muito grande, segundo o bispo auxiliar de Manaus e assessor da comissão dom Hudson Ribeiro, que insiste no apelo do Papa Francisco no Motu Próprio Vos Estis Lux Mundi de cuidar para exista uma cultura de proteção, algo que passa por uma consciência, por uma conversão ao respeito às crianças e adolescentes, que leve a promover os seus direitos.

O bispo auxiliar de Manaus lembrou o pedido de Jesus no Evangelho para se fazer criança como condição para entrar no Reino dos Céus. Nessa perspectiva, dom Hudson disse que “tudo isso nos leva a acreditar que a gente encontra nas palavras de Jesus, a força para que a gente possa contagiar pessoas pela causa da criança e do adolescente”, algo que as igrejas do Regional Norte 1 da CNBB estão assumindo por meio da comissão ampliada e das comissões nas dioceses e prelazias.

O objetivo é fazer com que as comissões tenham condições de receber informações, de refletir sobre a temática, de poder partilhar as experiências que já estão acontecendo nas dioceses e prelazias, lembra o bispo. Uma construção que ele define como sinodal, de escuta, de partilha de experiências, em vista de construir o que dom Hudson chama de mosaico da esperança, especialmente neste ano do Jubileu da Esperança, um tempo em que “a gente encontra pessoas disponíveis” para assumir essa causa, algo que ninguém pode abrir mão e que faz com que a cultura do cuidado passe do desejo, do sonho, para a realização.

Um olhar de sensibilidade

Para isso, o bispo ressalta que “o nosso olhar tem que ser um olhar de muita sensibilidade para ajudar a identificar quem já faz, quem já cuida, para poder otimizar essas ações, ajudar a dar uma forma mais organizada”, algo que tem criado um pouco mais de consistência, de continuidade, de construção de processos em continuidade. Igualmente, dom Hudson destaca o envolvimento cada vez maior de crianças na rede de proteção, que deve ajudar a criar uma nova cultura que surge a partir das crianças e adolescentes, que começam a se envolver nessas ações, o que ele define como maravilhoso.

Entre os passos concretos dados pela comissão, o bispo auxiliar destaca que as comissões foram instaladas em todas as dioceses e prelazias do Regional Norte 1. Isso tem ajudado, pois os casos de suposto abuso estão chegando, e existe uma comissão metropolitana que recebe esses casos para serem analisados e procura estudar os casos e dar resposta às pessoas. Existem canais onde as pessoas já podem acessar, existe um protocolo de proteção, que ele é parâmetro norteador para todas as comissões, sublinha o bispo.

Ele destaca que tem sido um trabalho realizado por muitas mãos, onde tem participado os bispos do Regional e muitas outras pessoas, seguindo a metodologia sinodal de escuta, de participação, de construção, de revisão, de se colocar humildemente, em um processo que não é concluído, mas que já vem dando frutos, que possibilitam avançar nesta dinâmica do cuidado com a vida, do cuidado com os mais vulneráveis. Tudo em vista de que “em qualquer suposto abuso, ele não deixe de encontrar um espaço de escuta. Criar espaço de acolhida e de escuta é um desafio, mas graças a Deus é uma realidade que está acontecendo”, concluiu dom Hudson.

Luis Miguel Modino