Comunidade Cristo Ressuscitado é alvo de vandalismo e profanação da Eucaristia em Boa Vista

Os vândalos arrombaram o templo, espalharam hóstias consagradas pelo chão e danificaram objetos litúrgicos.

Em um ato de vandalismo que gerou grande comoção entre os fiéis, a Comunidade Cristo Ressuscitado, da Área Missionária São Raimundo Nonato, no bairro Senador Hélio Campos, em Boa Vista, foi invadida e teve o sacrário profanado no sábado, dia 15.   Os vândalos arrombaram o templo, espalharam hóstias consagradas pelo chão e danificaram objetos litúrgicos.

Em nota, o Bispo da Diocese de Roraima, Dom Evaristo Spengler, manifestou sua profunda tristeza diante do ocorrido. “Este ato de profanação não é apenas um ataque a um edifício, mas uma ofensa ao Corpo de Cristo, presente na Eucaristia, na comunidade dos fiéis e em toda a Igreja”, afirmou. Ele ressaltou que a Eucaristia é o “memorial da Morte e Ressurreição de Jesus”, símbolo máximo de unidade e amor entre os católicos.

Para reparar a ofensa, Dom Evaristo convocou uma Celebração Eucarística de desagravo, que ocorrerá nesta terça-feira (18), às 19h30, na Comunidade Cristo Ressuscitado, na Rua Caubi Brasil Magalhães, 2179, Bairro Senador Hélio Campos.

“Que o Senhor, que se oferece por nós no sacrifício eucarístico, nos conceda a graça de perdoar e de trabalhar incansavelmente pela construção de um mundo mais justo, fraterno e respeitoso para com os sagrados mistérios da fé”, declarou o Bispo.

A ministra da Eucaristia e coordenadora da comunidade, Eudení Silva Almeida, relatou a dor e o choque ao encontrar o local revirado. “Vivo na Comunidade Cristo Ressuscitado há 23 anos e já passamos por vários roubos, mas desta vez foi a pior de todas. Cheguei com o Alex e encontramos o sacrário no chão, a porta arrancada, a âmbula quebrada e as hóstias espalhadas. Me senti muito mal ao ver o Cristo no chão, sua casa violada, foi um vandalismo muito grande”, desabafou.

Nas redes sociais, fiéis manifestaram revolta e solidariedade à comunidade, lamentando o ato de desrespeito à fé católica. Até o momento não há informações sobre os autores ou suas motivações.

Comentários de fiéis na rede social, instagram da Diocese de Roraima.

A Diocese de Roraima, sob a intercessão de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da região, busca superar este momento com esperança e unidade. A reportagem segue apurando mais detalhes sobre o ocorrido.

Confira o link com nota da Diocese na íntegra:  

FONTE/CRÉDITOS: Dennefer Costa – Rádio Monte Roraima

Nota de desagravo pela profanação da Eucaristia na Comunidade Cristo Ressuscitado

NOTA DE DESAGRAVO – Pela profanação da Eucaristia.

Ao Povo de Deus da Diocese de Roraima

Com profunda tristeza no coração, compartilho com vocês um fato que enche a alma de dor e indignação. No último final de semana, quando a Igreja celebrava a Transfiguração do Senhor, vândalos invadiram a Comunidade Cristo Ressuscitado, da Área Missionária São Raimundo Nonato, em Boa Vista, profanando a Eucaristia. Romperam o sacrário, jogaram as hóstias consagradas e objetos litúrgicos pelo chão.

Este ato de profanação não é apenas o ataque a um edifício, mas uma ofensa ao Corpo de Cristo, presente na Eucaristia, na comunidade dos fiéis e em toda a Igreja. A Eucaristia é o sacramento do amor de Deus, o alimento que sustenta a nossa caminhada e o sinal da unidade da Igreja. “É memorial da Morte e Ressurreição de Jesus: sacramento da piedade, sinal de unidade e vínculo de caridade” (cf. SC, n. 47). Por isso, este gesto de violência e desrespeito fere profundamente o coração de todos nós, que amamos e veneramos a presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento.

Neste momento de dor, convido a todos a nos unirmos em oração pela reparação desta ofensa e pela conversão daqueles que cometeram este ato. Além das orações que todos podemos fazer, convido padres, religiosos e religiosas, leigos e leigas, enfim, todo o Povo de Deus para uma Celebração Eucarística hoje, terça-feira, 18 de março, às 19h30, como ato de desagravo a Jesus Sacramentado, nesta mesma Comunidade Cristo Ressuscitado, sito à Rua Caubi Brasil Magalhães, 2179, Bairro Senador Hélio Campos.

Que a Padroeira da nossa Diocese, Nossa Senhora do Carmo, interceda por nós ajudandonos a superar este momento difícil com fé e esperança. Que o Senhor, que se oferece por nós no sacrifício eucarístico, nos conceda a graça de perdoar e de trabalhar incansavelmente pela construção de um mundo mais justo, fraterno e respeitoso para com os sagrados mistérios da fé.

Que a bênção do Deus Misericordioso desça sobre todos, e de coração, peço que rezem por todo o povo de Deus que sofre com esta profanação.

+ Dom Evaristo Pascoal Spengler – Bispo da Diocese de Roraima

Festejo da Comunidade São José – Paróquia Frei Galvão

Viva São José!

A Paróquia Frei Galvão está me festa junto com a
Comunidade São José, e juntos rezaremos juntos:

▫️O tríduo dos dias 16 a 18 de março
( todos os dias as19:30);
▫️ Dia 19 de Março a grande festa
litúrgica com a Santa Missa, às 19:30, presidida por
nosso Pároco Padre Edmilson.

Vamos juntos nesse tempo quaresmal nos unir em
oração pedindo a intercessão de São José.

Fonte: Paróquia Santo Antônio de Santana Galvão

Encontro com novos missionários e missionárias de Roraima 2025, aconteceu hoje (12)

Encontro com novos missionários e missionárias de Roraima 2025, aconteceu nesta ultima quarta-feira(12)

Evento reuniu líderes da Diocese e novos missionários para refletir sobre a história e os desafios da evangelização em Roraima.

Encontro com novos missionários e missionárias de Roraima 2025, aconteceu hoje (12)
Lucas Rossetti Foto

Durante o evento realizado nesta quarta-feira (12), para os novos missionários e missionárias, a Doutora Ana Célia fez uma palestra que conduziu por uma viagem histórica sobre a Igreja em Roraima, destacando sua primeira presença em 1719, com os jesuítas na Bacia do Rio Branco. A história da Diocese de Roraima, que abrange mais de 225 mil km² e conta com uma população de mais de 650 mil habitantes, sendo 60 mil indígenas, reflete a força transformadora e evangelizadora da Igreja ao longo dos séculos. A Igreja continua desempenhando um papel central na vida social, cultural e religiosa da região, estabelecendo laços profundos com as comunidades locais e ajudando a preservar as tradições, ao mesmo tempo em que promove a integração das diversas culturas.

Na ocasião, também tivemos a honra de contar com a presença de Dom Evaristo Splenger, Bispo de Roraima, que compartilhou sua visão sobre o futuro da Diocese e reforçou a missão de evangelização e transformação social em Roraima. Dom Evaristo destacou a importância de continuar o trabalho com os novos missionários e missionárias, que chegam com o compromisso de construir um mundo mais justo e fraterno.

“A missão de evangelizar vai muito além da disseminação da palavra; é um trabalho de acolhimento, cuidado com os mais necessitados, de justiça e, acima de tudo, de respeito às culturas locais”, afirmou Dom Evaristo. Ele ressaltou ainda que, com as particularidades e os desafios enfrentados pela Diocese de Roraima, a chegada de novos missionários é fundamental para dar continuidade a esse trabalho transformador.
Irmã Franciscana de Cristo Rei, Patrícia, missionária presente no evento, abordou a divisão das atividades missionárias no estado, destacando a distribuição dos esforços da Igreja entre diferentes grupos e regiões de Roraima, com especial atenção à população indígena e migrante. Ela sublinhou a complexidade dessa missão, que vai além da evangelização, englobando também ações de apoio social, saúde, educação e defesa dos direitos humanos.


“Neste primeiro momento, a equipe foi dividida, e fomos acolhidos de forma calorosa pelo Bispo Dom Evaristo. Vivemos um momento de muita alegria, com espiritualidade e mística, lembrando que o foco da missão é Jesus Cristo”, comentou Irmã Patrícia.


Ela também compartilhou suas expectativas quanto à sua missão em Roraima, afirmando que, apesar dos desafios, sente grande alegria em estar à frente de projetos que buscam integrar as comunidades. “A expectativa é conhecer essa nova realidade, à qual cheguei há um mês. Vou trabalhar no sul do estado, em São João da Baliza. Quero caminhar junto à Diocese durante esse Jubileu da Alegria”, disse.


A Igreja de Roraima tem se dedicado, sobretudo, à evangelização respeitando as culturas indígenas, além de manter um trabalho contínuo com os migrantes, especialmente em Boa Vista, porta de entrada para refugiados, com destaque para os venezuelanos. Em 2025, a missão segue se adaptando à crescente diversidade cultural do estado, buscando sempre formas solidárias, respeitosas e acolhedoras de integrar essas novas populações.


O trabalho missionário no estado não se limita à evangelização religiosa, mas também se reflete em ações de assistência social, educação e promoção da dignidade humana. Programas de saúde, alfabetização e apoio psicológico são essenciais para muitas comunidades, que enfrentam grandes desafios devido à falta de infraestrutura e ao isolamento geográfico. A presença da Igreja nessas áreas não só fortalece os laços de fé, mas também promove a transformação social que a região tanto necessita.


Além disso, as ações junto aos povos Yanomami, que, por muitos anos, resistiram à presença missionária, têm sido gradualmente mais respeitosas e eficazes, com o desenvolvimento de projetos de saúde, educação e capacitação de líderes locais. Missionários e missionárias estão comprometidos em respeitar a autonomia das comunidades, colaborando para que possam viver com dignidade, sem abrir mão de suas tradições e crenças.


O trabalho missionário da Diocese de Roraima, em 2025, continua a ser uma jornada de fé, solidariedade e respeito cultural, com o objetivo de promover uma evangelização inclusiva e de transformação social. Com a chegada de novos missionários, a Diocese renova seu compromisso de ser uma presença ativa e viva em todas as realidades do estado, enfrentando desafios e celebrando vitórias ao lado das comunidades que mais necessitam de apoio.

 FONTE/CRÉDITOS: Luana de Oliveira

Pisar suavemente no chão da Amazônia – Formação para novos missionários

Pisar suavemente no chão da Amazônia.

Neste dia 11 de março 2025, iniciou- se o encontro para os novos missionários na prelazia. O encontro estava imbuído com a acolhida receptiva. Após o almoço a equipe sinodal acolheu a cada missionária (o).

Depois do momento de partilha e descanso, os missionários participaram de um momento de Espiritualidade, e de encontro com o Senhor que aqui chamou e enviou cada missionário a pisar neste chão Santo.  

Dom Evaristo acolheu a cada missionário com muita alegria e expressou a gratidão a Deus pelos missionários que aqui estão. Fez um apanhado geral das divisões de áreas missionárias, indígenas, comunidades e paróquias  pertencentes a Diocese de Roraima. Após um fala cheia de júbilo e esperança de nosso Pastor Dom Evaristo, irmã Sofia e ir. Mônica continuaram as orientações e encaminham para o encontro desta semana, apresentando o programa aberto a sugestões.

Padre Celso em seguida encaminhou a dinâmica de apresentação, onde cada missionário (a) se apresentaram, e juntos construíram a teia de aranha com novelo de barbante.  Que rica a partilha e a experiência apresentada por cada um. Cada missionário como dom precioso de um Deus que ama partir da história e caminhada pessoal de cada missionário(a).

A noite os religiosos participaram da santa missa presidida por Dom Evaristo, que na alegria do seguimento convidou-os, a não termos medo de sermos profetas e levarmos até às últimas consequências a missão a qual foram chamados. Concluido o dia com o filme “pés de Peixe”, relatando a situações das comunidades indígenas.

Esteveram presentes as irmãs: Josiane Horta responsável pela CRB de Roraima, Ir. Antônia responsável pelo (SAV) Serviço de Aminação Vocacioal, que se dispuseram juntamente com a equipe sinodal acompanhar esse momento formativo para todos os missionários novos.

Fonte: Prelazia Diocese de Roraima.

Adaptação do texto: Angélica Alves

Nova Coordenação das Pastorais Sociais da Diocese de Roraima

Durante os dias 07 a 09 de março, ocorreu a 1ª Assembleia das Pastorais Sociais da Diocese de Roraima, o encontro aconteceu na no Centro de Ciências Humanas da Universidade Federal de Roraima (UFRR).

Durante o encontro, o foco foi fortalecer a sinodalidade, promover a escuta mútua e planejar as ações pastorais para o próximo ano, reafirmando o compromisso da Igreja com as comunidades mais vulneráveis e com a construção de um futuro mais justo e solidário.

A luz do Evangelho e dos documentos da Igreja, foram eleitas três prioridades para os próximos 03 anos:

  • Formação Sócio Transformadora;
  • Artes, Culturas e Incidência Política;
  • Juventudes e Políticas Públicas.

Ao final da assembleia foi eleita a nova Coordenação das Pastorais Sociais:

  • Rosenida (Rosé) – Pastoral Familiar
  • Ângela Schardong
  • Francisca
  • Leonardo – Pastoral da Juventude
  • Irmã Teresinha

Assembleia das Pastorais Sociais — O Clamor da Amazônia e a Luta por Justiça

Nos dias 7, 8 e 9 de março, a Assembleia das Pastorais Sociais reuniu vozes e experiências de diferentes regiões de Roraima, com foco especial nos desafios enfrentados pela Amazônia. O encontro destacou que a disputa por terra é uma questão central, onde campo e cidade não estão isolados — tudo está interligado e afeta diretamente as populações locais.

Um dos pontos mais debatidos foi a crescente pressão internacional sobre a Amazônia. Países estrangeiros observam a região com interesse, sobretudo em relação ao crédito de carbono, uma tentativa de compensar a poluição em troca de investimentos em preservação ambiental. No entanto, foi levantada a crítica de que esse sistema tem causado divisão nas comunidades indígenas, uma vez que grandes empresas, ao se associarem a projetos verdes, acabam fragmentando o povo ao invés de fortalecê-lo.

Outro tema relevante foi o encarecimento das terras, que impacta diretamente o preço dos alimentos e a apropriação indevida de territórios, especialmente em estados como Roraima, onde a demarcação de novas terras indígenas está atrasada. A CPI das Terras de Roraima também foi mencionada como um instrumento para investigar as irregularidades fundiárias.

A pergunta que ecoou entre os participantes foi: Por que os recursos prometidos pelo governo para combater o desmatamento e apoiar comunidades não chegam ao destino final?

Além das questões ambientais, a Assembleia abordou a violência crescente contra mulheres, crianças e pessoas LGBTQIAP+. As pastorais questionaram: Será que há uma real valorização das mulheres em nossa sociedade, ou estamos apenas vivendo um modismo? A fala de uma das irmãs presentes destacou a importância de desconstruir visões ultrapassadas dentro da própria Igreja.

Para além das análises críticas, a palavra “resistência” foi a que mais ecoou durante o evento. As Pastorais Sociais reafirmaram seu compromisso em ser um espaço de luta e espiritualidade, com a certeza de que sua existência já é, por si só, um ato de resistência.

Diocese de Roraima apresenta a Campanha da Fraternidade: “A mudança começa nas nossas comunidades”

  Foto: Rádio Monte Roraima

No início da quaresma, um tempo em que a Igreja “nos chama à conversão, à mudança de vida, a voltar ao evangelho, a voltar àquele projeto de Deus em nossa vida e na nossa sociedade”, segundo salientava dom Evaristo Spengler, a diocese de Roraima apresentou à imprensa a Campanha da Fraternidade 2025. O bispo ressaltou que “essa conversão não basta ser individual, é necessário também uma conversão comunitária, uma conversão social e que produza frutos.”  Nessa tessitura se coloca a Campanha da Fraternidade, que em 2025 tem como tema: “Fraternidade e Ecologia integral”, e como lema “Deus viu que tudo era muito bom”.

Diante disso, o bispo questionou: “como é que Deus está enxergando o mundo hoje, vendo tanta destruição, tanta contaminação, tanta pobreza, Deus ainda aplaudiria que tudo está muito bom?”, vendo a Campanha da Fraternidade como instrumento que quer fazer esse questionamento: “o que nós estamos fazendo com a criação que Deus nos delegou?

Ele insistiu na necessidade do ser humano cuidar da Criação, zelar por ela. Segundo o bispo, “a Criação não é só o ser humano, não é só o homem e a mulher”, recordando que a Campanha da Fraternidade deste ano está determinada pela realização da COP30 em Belém do Pará, os 10 anos do lançamento da encíclica Laudato Si e os 800 anos do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis. Uma campanha que quer ajudar-nos a descobrir as causas da atual crise climática, que em grande parte vem da ação humana, relatando diversos exemplos disso na diocese de Roraima: desmatamento acelerado, criação extensiva de gado, monocultivo. Algo que prejudica claramente o lavrado, uma terra fraca para o cultivo, que acaba com a biodiversidade e pode desertificar a região. Igualmente refletiu sobre o garimpo e a ameaça de uma grande hidroelétrica.

O bispo denunciou a pressão do poder económico com relação à COP30, pedindo uma legislação que cada vez mais tem que se adequar à preservação e não à destruição. Junto com isso a necessidade de conscientização de cada cristão e cada cidadão, de evitar o consumo desenfreado, de uma mudança de mentalidade e de prática, de ação para no avançar caminho a um grande desastre.

A Campanha da Fraternidade tem como um dos seus instrumentos de reflexão o Texto Base, elaborado por uma equipe, da qual fez parte a professora da Universidade Federal de Roraima, Marcia de Oliveira, que foi perita no Sínodo para a Amazônia. Ela levou para a reflexão da equipe as questões centrais da Amazônia, destacando no Texto Base o chamado ao bem viver como proposta alternativa a esse modelo capitalista que tem causado essa crise climática sem precedência na história da humanidade. Nessa perspectiva, foram inseridas no texto diversas experiências exitosas que garantem que “as regiões ou os territórios ocupados pelos povos indígenas são territórios de grande preservação, são territórios de convivência, são territórios que estabelecem aqueles princípios da casa comum apresentados pelo Papa Francisco na encíclica Laudato Si e eles representam para nós um grande modelo de vida, um grande modelo de ecologia integral”, enfatizou a professora.

Marcia de Oliveira destacou a importância do tempo quaresmal como “um tempo de escuta, de reflexão, de conversão”, insistindo em que “eu não posso me converter se eu não reconheço onde é que eu estou falhando, onde é que eu estou interrompendo processos de participação e de vivência.” Nesse sentido, ela vê a necessidade de processos de revisão da nossa vida diante da questão ecológica, vendo a Campanha da Fraternidade como “um grande convite a revermos de forma muito profunda a nossa relação com a natureza e entrarmos num processo de conversão ecológica.”

Foto: Rádio Monte Roraima

Com relação à COP 30, a professora denunciou que as COPs têm sido convertido em espaços de negociação da natureza, mostrando a necessidade de levar adiante “uma proposta de mobilização de toda a igreja do Brasil para, durante o processo de preparação e realização da COP, como sociedade, como organizações da sociedade civil, a gente estabelecer outras reflexões e estabelecer outras alternativas, outros mundos possíveis.”

Por sua vez, o vigário episcopal para a Pastoral da diocese de Roraima, padre Celso dos Santos, insistiu em que a Campanha da Fraternidade está dentro do processo quaresmal, destacando o método do Texto Base, que parte da necessidade de olhar a realidade, da situação que se vive, marcada por uma crise civilizatória com muito impacto na questão ambiental. Desde aí procurar como Igreja parâmetros para nos orientar, a partir da fé, da Palavra de Deus, da Tradição da Igreja, tendo em conta que “a casa comum tem seus limites e nós já estamos quase que ultrapassando esses limites”, o que tem que nos levar a nos questionar: “Qual é a nossa responsabilidade de cristãos e de cristãs para com esta realidade?”, disse o padre Celso.

Uma reflexão que tem que nos levar a “um novo agir, um agir com responsabilidade”. Nesse sentido, o vigário de Pastoral destacou que “é importante que neste tempo de quaresma, onde todas as nossas comunidades se reúnem, celebram, possam de fato viver a sua fé no chão que estão inseridas. A mudança começa, claro, nas nossas comunidades. Mas isso também exige que nós lutemos por políticas que de fato mudem essa relação predatória com a terra, com o meio ambiente.”

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Em mensagem para a Quaresma 2025, o Papa Francisco afirma que caminhar juntos é vocação da Igreja

Foi divulgada, nesta terça-feira (25/02), a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2025 intitulada “Caminhemos juntos na esperança”. Na mensagem para a Quaresma deste ano intitulada “Caminhemos juntos na esperança”, Francisco recorda que “caminhar juntos, ser sinodal, é esta a vocação da Igreja. Os cristãos são chamados a percorrer o caminho em conjunto, jamais como viajantes solitários. O Espírito Santo impele-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro de Deus e dos nossos irmãos, e nunca a fechar-nos em nós mesmos”.

Com o sinal penitencial das cinzas sobre as nossas cabeças, iniciamos na fé e na esperança a peregrinação anual da Santa Quaresma”, escreve Francisco, reiterando o convite da Igreja, mãe e mestra, a “preparar os nossos corações e a abrir-nos à graça de Deus para podermos celebrar com grande alegria o triunfo pascal de Cristo, o Senhor, sobre o pecado e a morte”. “Jesus Cristo, morto e ressuscitado, é o centro da nossa fé e a garantia da nossa esperança na grande promessa do Pai, já realizada n’Ele, Seu Filho amado: a vida eterna”.

Acesse o texto da mensagem na íntegra (aqui)

Quaresma e a graça do Ano Jubilar

“Nesta Quaresma, enriquecida pela graça do Ano Jubilar”, o Papa oferece algumas reflexões sobre “o que significa caminhar juntos na esperança” e evidencia “os apelos à conversão que a misericórdia de Deus dirige a todos nós, enquanto indivíduos e comunidades”.

Em primeiro lugar, caminhar. “O lema do Jubileu – “Peregrinos de Esperança” – traz à mente a longa travessia do povo de Israel em direção à Terra Prometida, narrada no livro do Êxodo: a difícil passagem da escravidão para a liberdade, desejada e guiada pelo Senhor, que ama o seu povo e sempre lhe é fiel. Não podemos recordar o êxodo bíblico sem pensar em tantos irmãos e irmãs que, hoje, fogem de situações de miséria e violência e vão à procura de uma vida melhor para si e para seus entes queridos”.

De acordo com Francisco, “aqui, surge um primeiro apelo à conversão, porque todos nós somos peregrinos na vida, mas cada um pode perguntar-se: como me deixo interpelar por esta condição? Estou realmente a caminho ou estou paralisado, estático, com medo e sem esperança, acomodado na minha zona de conforto? Busco caminhos de libertação das situações de pecado e falta de dignidade? Seria um bom exercício quaresmal confrontar-nos com a realidade concreta de algum migrante ou peregrino e deixar que ela nos interpele, a fim de descobrir o que Deus pede de nós para sermos melhores viajantes rumo à casa do Pai. Esse é um bom “exame” para o viandante”.

Caminhar juntos é esta a vocação da Igreja

“Em segundo lugar, façamos esta viagem juntos. Caminhar juntos, ser sinodal, é esta a vocação da Igreja. Os cristãos são chamados a percorrer o caminho em conjunto, jamais como viajantes solitários. O Espírito Santo impele-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro de Deus e dos nossos irmãos, e nunca a fechar-nos em nós mesmos”, ressalta o Pontífice. “Caminhar juntos significa ser tecelões de unidade, partindo da nossa dignidade comum de filhos de Deus; significa caminhar lado a lado, sem pisar ou subjugar o outro, sem alimentar invejas ou hipocrisias, sem deixar que ninguém fique para trás ou se sinta excluído. Sigamos na mesma direção, rumo a uma única meta, ouvindo-nos uns aos outros com amor e paciência”, escreve o Papa no texto.

De acordo com Francisco, “nesta Quaresma, Deus nos pede que verifiquemos se nas nossas vidas e famílias, nos locais onde trabalhamos, nas comunidades paroquiais ou religiosas, somos capazes de caminhar com os outros, de ouvir, de vencer a tentação de nos entrincheirarmos na nossa autorreferencialidade e de olharmos apenas para as nossas próprias necessidades”.

O Papa nos convida a perguntar “diante do Senhor se somos capazes de trabalhar juntos a serviço do Reino de Deus, como bispos, sacerdotes, pessoas consagradas e leigos; se, com gestos concretos, temos uma atitude acolhedora em relação àqueles que se aproximam de nós e a quantos se encontram distantes; se fazemos com que as pessoas se sintam parte da comunidade ou se as mantemos à margem. Este é o segundo apelo: a conversão à sinodalidade”.

Rumo à vitória pascal

Em terceiro lugar, Francisco nos convida a fazer “este caminho juntos na esperança de uma promessa. A esperança que não engana, mensagem central do Jubileu, seja para nós o horizonte do caminho quaresmal rumo à vitória pascal. Como o Papa Bento XVI nos ensinou na Encíclica Spe salvi, «o ser humano necessita do amor incondicionado. Precisa daquela certeza que o faz exclamar: “Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”». Jesus, nosso amor e nossa esperança, ressuscitou e, vivo, reina glorioso. A morte foi transformada em vitória e aqui reside a fé e a grande esperança dos cristãos: na ressurreição de Cristo!”

“Eis o terceiro apelo à conversão: o da esperança, da confiança em Deus e na sua grande promessa, a vida eterna”, escreve o Papa, convidando a nos perguntar: “Estou convicto de que Deus me perdoa os pecados? Ou comporto-me como se me pudesse salvar sozinho? Aspiro à salvação e peço a ajuda de Deus para a receber? Vivo concretamente a esperança que me ajuda a ler os acontecimentos da história e me impele a um compromisso com a justiça, a fraternidade, o cuidado da casa comum, garantindo que ninguém seja deixado para trás?”

Francisco conclui a mensagem, afirmando que “graças ao amor de Deus em Jesus Cristo, somos conservados na esperança que não engana. A esperança é “a âncora da alma”, inabalável e segura. Nela, a Igreja reza para que «todos os homens sejam salvos» e anseia estar na glória do céu, unida a Cristo, seu esposo. Que a Virgem Maria, Mãe da Esperança, interceda por nós e nos acompanhe no caminho quaresmal”.

Com informações VaticanNews

Dom Evaristo Spengler: CF 2025, “recuperar neste mundo em que nós vivemos a harmonia com o nosso Criador”

O que estamos fazendo com a criação que recebemos de Deus, após ser criado?”. Essa é a pergunta que lança o bispo da diocese de Roraima, dom Evaristo Spengler, no vídeo difundido pelas redes sociais da diocese e da Rádio Monte Roraima, com motivo da Campanha da Fraternidade 2025, que tem como tema “Fraternidade e Ecologia Integral”. Uma questão que ele considera crucial.

O bispo lembra que “na Quarta Feira de Cinzas, a Igreja do Brasil lança a Campanha da Fraternidade, convidando todo mundo a reflexão sobre a ecologia integral.” Ele recordou o tema da CF 2025, e o lema que vai acompanhar a caminhada da Igreja do Brasil durante a próxima Quaresma: “Deus viu que tudo era muito bom.”

Segundo dom Evaristo Spengler, “a ecologia, para ser integral, pressupõe toda a criação, pressupõe que toda a criação está submetida a um mesmo processo sob as mãos de Deus. E a criação não se restringe só aos seres humanos, envolve a fauna, a flora, os animais, as florestas, os ecossistemas, as águas, o ar, as pedras, os rios, os mares, enfim, tudo.”

O bispo franciscano recordou a figura do seu fundador, enfatizando que “São Francisco de Assis, há 800 anos, viveu uma relação harmoniosa com toda a criação. Se relacionava com tudo como sendo seus irmãos e irmãs. Chamava de irmãos e irmãs o sol, a lua, a água, o vento, as estrelas.”

O bispo da diocese de Roraima, ainda recordou que “à Terra, Francisco deu o título de Irmã e Mãe Terra, porque dela vem os frutos do nosso sustento”, mostrando que esse é o motivo que faz com que o cartaz da Campanha da Fraternidade traz a imagem de São Francisco.

Finalmente, dom Evaristo Spengler pediu que São Francisco “nos inspire a recuperar neste mundo em que nós vivemos a harmonia com o nosso Criador, nosso Pai, e com todas as criaturas, nossos irmãos e irmãs.”

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1