Diretoria do Serviço Pastoral dos Migrantes visita a sede da CNBB e é recebida pelo secretário-geral, dom Ricardo Hoepers

A Diretoria do Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), reunida em Brasília (DF), compareceu à sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para uma visita ao secretário-geral do Ricardo Hoepers. Na ocasião, os membros apresentaram o trabalho realizado atualmente na realidade da migração.

“Nós tivemos essa oportunidade de uma audiência com dom Ricardo, secretário da CNBB, uma reunião muito produtiva onde nós fizemos uma exposição do trabalho que nós estamos fazendo no Brasil, as casas de acolhida, as acolhidas na fronteira, as redes que nós trabalhamos em conjunto. Foi uma partilha muito bonita, muito gostosa, muito fraterna e diante de tudo isso, também ele nos propôs que a gente pudesse fazer um seminário sobre migração e crescermos nesse trabalho com todas as entidades, todas as comissões que trabalham com migração no Brasil”, partilhou o bispo de Primavera do Leste-Paranatinga (MT) e presidente do SPM, dom João Aparecido Bergamasco.

Para dom João, o encontro foi “muito positivo”, por possibilitar perceber a riqueza do trabalho no contexto da migração desenvolvido pelo Serviço Pastoral dos Migrantes, pelo Setor Mobilidade Humana da CNBB e tantas entidades que trabalham com os migrantes.

“Foi uma riqueza muito grande. Dom Ricardo nos recebeu muito bem, nos ouviu e também nos apontou alguns caminhos importantes para enfrentarmos os desafios”, disse dom João.

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) foi criado em 1986 e está entre as Pastorais ligadas ao Setor Mobilidade Humana da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Sua atuação é realizada junto aos migrantes em ações com segmentos sociais, promovendo ações de inclusão social, denunciando violações dos direitos e trabalhando para a construção de um país mais igualitário para todos.

Além de dom João Bergamasco, participaram do encontro o vice-presidente, padre Valdecir Mayer Molinari; a secretária, irmã Ires de Costa; a vice-secretária, Marcia Maria Oliveira; o tesoureiro, Arivaldo José Sezyshta; os membros da coordenação colegiada, José Roberto Saraiva dos Santos, Rosana Maria Taveira do Nascimento e Maria Ozania da Silva; e os assessores padre Alfredinho Gonçalves e Anibal Brasil Freire Bardales.

Comissão da CNBB disponibiliza material para animar a VIII Jornada Mundial dos Pobres (JMP) a ser realizada de 10 e 17/11

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em consonância com seu compromisso de acolhimento e escuta, convida a a Igreja no Brasil a unir-se em solidariedade às pessoas em situação de pobreza durante a VIII Jornada Mundial dos Pobres (JMP). Por meio de sua Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora, a CNBB apresenta a Identidade Visual desta significativa iniciativa, a ser realizada entre os dias 10 e 17 de novembro de 2024.

Nesta oitava edição da Jornada dos Pobres, o tema “Ouve o meu clamor” e o lema “A oração do pobre eleva-se até Deus” (cf. Sir 21, 5) convidam a seguir o chamado do Papa Francisco: “abrir nossos corações à oração e à solidariedade com os mais necessitados. Que esta jornada nos una em encontros, convivência, escuta e cuidado, para podermos caminhar juntos, como irmãos e irmãs, construindo um mundo mais justo e fraterno para todos”.

Preparativos para a JMP com zelo pastoral

A equipe executiva, com dedicação, finalizou diversos materiais e propostas que já estão disponíveis para auxiliar na organização de iniciativas que valorizem a Jornada Mundial dos Pobres e promovam a solidariedade e o cuidado com os mais necessitados.

Acesse a pasta com os materiais aqui: (arquivos)

Subsídio celebrativo e orante: para aprofundar a reflexão sobre o tema da Jornada e a espiritualidade da pobreza. O material poderá disponibilizado a partir do 1º de outubro.

Sugestões de atividades: visitas às comunidades que estão em situação de vulnerabilidade, realizar momentos de oração e partilha, ações de solidariedade e promoção da dignidade humana, com as pessoas empobrecidas.

Materiais de comunicação: para divulgar a Jornada e sensibilizar a sociedade sobre a importância do cuidado com os pobres. Serão disponibilizados materiais de comunicação.

Dia Mundial dos Pobres

O Dia Mundial dos Pobres foi instituído pelo Papa Francisco em 2016, ao final do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. A data, celebrada anualmente no 33º Domingo do Tempo Comum, busca conscientizar a comunidade sobre a realidade da pobreza e convidar todos a ações concretas de solidariedade e compaixão com os mais vulneráveis.

A iniciativa surgiu como um chamado à Igreja e à sociedade para reconhecerem a presença de Cristo nos pobres e excluídos, e para responderem a essa realidade com amor e serviço. No Brasil, a Igreja adotou a Jornada Mundial dos Pobres, e não apenas o Dia Mundial dos Pobres, para ir além de uma celebração pontual e promover um período amplo de reflexão, conscientização e ações concretas em prol das pessoas empobrecidas. A ação, que se estende por uma semana, permite que as comunidades e paróquias se envolvam em diversas atividades com as pessoas em situação de pobreza.

Símbolos da Jornada Mundial dos Pobres 2024

A arte criada para a VIII Jornada Mundial dos Pobres é rica em simbolismo, transmitindo mensagens sobre a importância da compaixão, da solidariedade e da justiça social. Cada elemento visual foi cuidadosamente escolhido para representar os desafios enfrentados pelas pessoas em situação de empobrecimento e para inspirar ações concretas em resposta ao seu clamor.

Através desses símbolos, a arte da Jornada Mundial dos Pobres convida à reflexão sobre a realidade da pobreza e nos inspira a agir em favor de um mundo justo e solidário, onde o clamor dos pobres seja ouvido e atendido.

A Comunidade eclesial: Em uma Igreja unida, encontramos referências na comunhão, na diversidade, na solidariedade. Somos comunidades que se apoiam, celebram juntas e caminham na fé, reconhecendo que a união fortalece nossa missão e testemunho e leva a compromissos concretos.

Mesa da refeição: esta é a mesa da abundância, um espaço onde todos são bem-vindos, independentemente de sua origem, condição social ou crenças. Aqui, a comida é um símbolo de união e partilha, um lembrete de que todos merecem ter suas necessidades básicas atendidas. A mesa da abundância é um lugar de inclusão, onde ninguém é deixado de fora.

A cisterna: evoca a ação da Igreja na promoção de políticas públicas que garantam o acesso à água, um direito humano fundamental. Representa a busca por mudanças estruturais que proporcionem dignidade e desenvolvimento às comunidades.

A feira da agricultura familiar: simboliza a conexão vital entre o campo e a cidade, promovendo o desenvolvimento local e a segurança alimentar. A parceria entre a Igreja e o poder público fortalece essa iniciativa, valorizando a diversidade cultural e produtiva do Brasil.

Iniciativas emergenciais em parceria com a feira: representam a solidariedade em ação, construindo uma rede de apoio e cuidado que promove a dignidade de cada indivíduo e fortalece os laços comunitários.

O encontro de gerações: na imagem, uma mulher idosa, com o rosto marcado pela sabedoria dos anos, acolhe em seus braços uma criança, símbolo da esperança e do futuro. O gesto terno e protetor expressa a profunda conexão entre as gerações, transmitindo a mensagem de que o futuro se constrói no presente, mediante atitudes de compaixão e empatia. A posição da mulher, ajoelhada diante da criança, reforça a ideia de proximidade e humildade, demonstrando que o aprendizado é mútuo, que a sabedoria não está apenas na experiência, mas também na capacidade de se abrir para o novo, de ouvir e acolher as novas gerações com amor e respeito.

A Sagrada Família em busca de refúgio: esta imagem, relacionada à realidade contemporânea de migrantes e pessoas em situação de rua, destaca a vulnerabilidade e a busca por segurança e dignidade que unem esses grupos.

Povos Indígenas, comunidades tradicionais e povos do campo: guardiões ancestrais da nossa Casa Comum, personificam a harmonia com a natureza e a importância da luta pela garantia de seus direitos. Essa luta, intrinsecamente ligado ao cuidado do nosso planeta, é fundamental para o cuidado e a proteção da Terra, nosso lar compartilhado.

Por Osnilda Lima
Participantes da audiência com o Papa Francisco

Papa: um simples sorriso vale tanto quanto qualquer bem material

Uma comunidade inter-religiosa de voluntários e moradores de rua, composta por fiéis de diferentes países e tradições religiosas, vinda de Viena, na Áustria, foi recebida pelo Papa Francisco nesta sexta-feira (08/11), no Vaticano. Em sua saudação, o Pontífice destacou a importância da fraternidade, lembrando que “um simples sorriso, um olhar fraterno, vale tanto quanto qualquer bem material”.

Ouça com a voz do Papa e compartilhe

“Somos irmãos e irmãs, filhos de um único Pai”, disse o Papa Francisco ao grupo “Begegnung im Zentrum” (Encontro no Centro), uma comunidade inter-religiosa composta por voluntários e pessoas em situação de rua, que se reúne no Palácio Arquiepiscopal de Viena, na Áustria. O Santo Padre iniciou seu discurso com uma saudação ao cardeal Schönborn, responsável pela arquidiocese local. Francisco ressaltou que todos os membros da comunidade têm algo a oferecer e que a troca mútua vai além dos bens materiais, envolvendo gestos de amizade e escuta sincera.

“Ajudar uns aos outros, compartilhar o que temos – é isso que nos faz crescer como uma verdadeira comunidade de irmãos”, afirmou o Papa, recordando que “um simples sorriso ou um olhar fraterno podem ser tão valiosos quanto qualquer bem material”. Segundo o Pontífice, essa atitude é o caminho para viver o mandamento do amor que Jesus nos ensinou: amar uns aos outros assim como Ele nos amou.

Participantes da audiência com o Papa Francisco

Participantes da audiência com o Papa Francisco

O valor da fraternidade na diversidade

O grupo “Begegnung im Zentrum” reúne pessoas de diversas origens, que compartilham experiências de vida e enfrentam desafios em comunidade. O Papa destacou que o Senhor nunca se esquece de seus filhos e ama a todos com um amor ilimitado. “Cada um de nós é único aos olhos de Deus”, reforçou, encorajando o grupo a continuar transformando suas vidas em um dom para o próximo.

Na comemoração dos Fiéis Defuntos, recordemos das almas

Origens 

Em vez de propor-nos, hoje, a veneração de um santo, a Igreja nos convida a comemorar, pelo nosso sufrágio, as almas dos fiéis já falecidos. A comemoração de todos os fiéis defuntos foi instituída neste dia a fim de socorrer, por boas obras gerais, os que não se beneficiam de preces especificamente dedicadas a eles. Deve-se a uma iniciativa tomada pelos monges beneditinos por volta do ano 1000. 

A data

O abade São Odilo, superior mosteiro de Cluny na França, deu ordem para que em todos os conventos filiados a esta Ordem se celebrasse um ofício pelos defuntos na tarde do dia 1º de novembro. Essa comemoração foi adotada pela autoridade da Igreja, de tal modo que, aos poucos, se tornou universal a dedicação de dois de novembro à memória dos irmãos já falecidos.

Exortação de Paulo

Essa exortação de Paulo é dirigida também a cada um de nós:

“Irmãos, nos diz São Paulo apóstolo, não queremos que ignoreis o que se refere aos mortos, para não ficardes tristes como os outros que não tem esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morrerem.” (ITs 4,13-14).

Dia dos Fiéis Defuntos: um dia para recordação, não tristeza

Dia de Saudosa Reflexão

O Dia dos Finados não é dia de tristeza nem lamúrias, como o é para aqueles que não tem fé, mas é dia de saudosa recordação, confortada pela fé, que nos garante que nosso relacionamento com as almas dos finados não está interrompido pela morte, mas é sempre vivo e atuante pela oração de sufrágio. A doutrina relativa aos finados põe em admirável luz a harmonia entre a justiça e a bondade de Deus Pai, de tal modo que também os corações mais frios não resistem hoje a um saudoso pensamento de piedade religiosa em favor dos irmãos falecidos.

Purgatório: o lugar de purificação

A fé nos ensina que existe um lugar de purificação pelas almas depois da morte, pois toda criatura que morre carrega faltas, misérias, dívidas espirituais por pecados cometidos, mesmo morrendo reconciliada com Deus. Essas faltas o impedem de entrar diretamente no Reino de Deus, que é o reino da santidade perfeita, da luz e felicidade. Deus, em Sua bondade, providenciou um lugar de purificação que a tradição da Igreja chamou de purgatório. O Catecismo da Igreja Católica afirma:

“O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, portanto, torna-nos incapazes da vida eterna, cuja privação se chama «pena eterna» do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado às criaturas, o qual precisa ser purificado, quer nesta vida quer depois da morte, no estado que se chama Purgatório. Esta purificação liberta do que se chama «pena temporal» do pecado. Estas duas penas não devem ser consideradas como uma espécie de vingança, infligida por Deus, do exterior, mas como algo decorrente da própria natureza do pecado. Uma conversão procedente duma caridade fervorosa pode chegar à total purificação do pecador, de modo que nenhuma pena subsista (82).” (CIC 1472)

Temos condições de oferecer preces, sacrifícios em sufrágios das almas do purgatório

A Solidariedade Espiritual

Pela solidariedade espiritual que existe entre os batizados por força de nossa inserção no Corpo Místico de Cristo, temos condições de oferecer preces, sacrifícios em sufrágios das almas do purgatório que ficam assim beneficiadas em suas penas. Esta doutrina já era conhecida no Antigo Testamento. De fato, lemos, no Segundo livro do Macabeus que, depois de uma batalha do povo judeu contra os inimigos, Judas Macabeu mandou recolher ofertas a serem enviados ao Templo de Jerusalém solicitando orações e sacrifícios em sufrágio dos soldados tombados na guerra, pois ele concluiu: “É um pensamento santo e salutar orar pelos mortos para que sejam livres dos seus pecados” (2Mc 14,45). Também Jesus Cristo fez alusão aos pecados que não são perdoados nem nesta terra nem na outra vida.

Orações de  Sufrágio

Orações de sufrágio em favor das almas dos mortos sempre foram praticadas nas Igrejas desde os primeiros séculos. Nas catacumbas romanas onde se sepultavam os cristãos há inúmeras inscrições alusivas a preces que os defuntos solicitam dos irmãos na fé. Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, ao falecer perto de Roma, enquanto viajava para África, assim falava aos dois filhos que a acompanhavam: “Ponde meu corpo em qualquer lugar, e não vos preocupeis com ele. Só vos peço que, no altar de Deus, vos lembreis de mim, onde quer que estiveres”.

As almas dos nossos falecidos parecem dizer com o patriarca Jó: “Compadecei-vos de mim, ao menos vós que sois meus amigos, porque a mão do meu Senhor me tocou”.

“Santo e salutar é o pensamento de orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados.”

A Indulgência e a Oração pelos falecidos

Indulgência: 

No dia de Finados, “aos que visitarem o cemitério e rezarem, mesmo só mentalmente, pelos defuntos, concede-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos. Diariamente, do dia 1º ao dia 8 de novembro, nas condições costumeiras, isto é, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice; nos restantes dias do ano, Indulgência Parcial (Enchr. Indulgentiarum, n.13)”.

“Ainda neste dia, em todas as igrejas, oratórios públicos ou semipúblicos, igualmente lucra-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos; a obra que se prescreve é a piedosa visitação à igreja, durante a qual se deve rezar o Pai-Nosso e Creio, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração na intenção do Sumo Pontífice (que pode ser um Pai-Nosso e Ave-Maria, ou qualquer outra oração conforme inspirar a piedade e devoção).” (pg. 462 do Diretório Litúrgico da CNBB).

Oração pelos falecidos:

Pai santo, Deus eterno e Todo-Poderoso, nós Vos pedimos por (nome do falecido), que chamastes deste mundo. Dai-lhe a felicidade, a luz e a paz. Que ele, tendo passado pela morte, participe do convívio de Vossos santos na luz eterna, como prometestes a Abraão e à sua descendência. Que sua alma nada sofra, e Vos digneis ressuscitá-lo com os Vossos santos no dia da ressurreição e da recompensa. Perdoai-lhe os pecados para que alcance junto a Vós a vida imortal no reino eterno. Por Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! (Rezar Pai-Nosso e Ave-Maria.)

Dai-lhe, Senhor, o repouso eterno e brilhe para ele a Vossa luz! Amém.

Minha oração

“Senhor, nosso Deus, resgatai as almas dos nossos conhecidos e familiares do purgatório, além daquelas que necessitam das nossas orações. Pedimos também a intercessão para que sejamos santos e purificados nessa vida, a fim de chegar diretamente ao Céu. Amém.”

Almas do purgatório, rogai por nós!

Na linha do Papa Francisco, Regional Norte1 avança no cuidado e proteção de crianças, adolescentes e vulneráveis

A Comissão Ampliada de Escuta e Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1) se reuniu vitualmente no dia 30 de outubro de 2024. Um encontro de grandes esperanças, segundo o bispo auxiliar de Manaus, dom Hudson Ribeiro, assessor da comissão. Ele disse “esperanças, no plural, porque de fato é a composição da esperança de cada um a partir daquilo que já foi realizado e vem se realizando e se realizará”.

Uma cultura que deve ganhar força

O bispo sublinha que “existe um empenho, existe um interesse, existe uma responsabilidade de fazer com que essa cultura do cuidado, essa proteção de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis, ela ganhe força em cada diocese e em cada prelazia”. A reunião, muito proveitosa, cheia de esperança e de comprometimento, contou com uma boa participação e acolhida e foi momento para organizar o calendário de 2025 em nível de Regional Norte1. Estamos, segundo dom Hudson Ribeiro, diante de “uma construção de muitas mãos e de muitos corações, que nos dá muita esperança da gente avançar no cuidado de crianças e adolescentes no específico da forma de abuso, e acima de tudo abuso sexual”.

O planejamento das formações para o próximo ano, contará com uma parceria com o Núcleo Lux Mundi, associado à Conferência dos Religiosos do Brasil e à CNBB, que vai realizar uma formação on-line duas vezes por mês, de fevereiro a junho de 2025, com as comissões das igrejas locais, em vista da formação da equipe e da contribuição nas atividades de prevenção. O programa perpassa a área bíblica, antropológica, psicológica e da legislação, com foco no Motu Próprio do Papa Francisco.

Multiplicadores de prevenção

A formação visa que aqueles que participem possam se tornar multiplicadores de atividades de prevenção e de maior articulação. Igualmente, está previsto um encontro presencial onde além do estudo e aprofundamento do Decreto, Regulamento e Manual de Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis do Regional Norte1, será usada a metodologia de trazer casos que foram encaminhados para na prática poder aprofundar e assim conseguir ter condições de atender os casos que chegarem das prelazias e dioceses.

Segundo dom Hudson Ribeiro, “isso para nós é uma grande esperança porque é um trabalho articulado numa rede maior que exige esse trabalho, um planejamento construído não de agora, mas que vai se efetivar em 2025, calendário que a gente já organizou”. Cada igreja local, nas assembleias diocesanas e prelatícias que serão realizadas durante o mês de novembro, tratará essa temática em vista de avançar nesse caminho de cuidado e proteção.

Junto com isso, as formações nas dioceses e prelazias acontecerão por categorias: presbíteros, diáconos, religiosas/os, catequistas, juventudes, atendentes paroquiais, colaboradores e colaboradoras, casas de formação, escolas católicas, entre outros em um processo contínuo de formação e prevenção.

Primeiro Relatório Anual sobre Políticas e Procedimentos de Proteção na Igreja

O trabalho realizado pela Comissão do Regional Norte1 está na linha do Primeiro Relatório Anual sobre Políticas e Procedimentos de Proteção na Igreja recentemente apresentado ao Papa Francisco, que tem como objetivo a “conversão para uma cultura de proteção”, em vista de “um compromisso de converter-se do mal e curar os feridos”. Os passos propostos são: conversão de afastamento do mal, verdade, justiça, reparações e garantias de não reincidência.

O Relatório quer ser “um novo instrumento no compromisso da Comissão” e está dividido em quatro seções: A Igreja Local em Foco; a Missão de Proteção da Igreja nas Regiões Continentais; Políticas e Procedimentos de Proteção da Cúria Romana a Serviço da Igreja Local; o Ministério de Proteção da Igreja na Sociedade.

São Nuno de Santa Maria, o grande Santo Condestável

Origens 

Nuno Álvares Pereira nasceu em Portugal em 24 de junho de 1360. Filho do cavaleiro dos hospitalários, Álvaro Gonçalves Pereira recebeu a educação cavalheiresca, típica dos filhos das famílias nobres de seu tempo.

Juventude
Aos treze anos, tornou-se pajem da rainha D. Leonor, tendo sido bem recebido na Corte e acabando por ser, pouco depois, cavaleiro. Em 1376, aos 16 anos, casou-se, por vontade de seu pai, com a jovem e rica viúva, D. Leonor de Alvim. De sua união nasceram três filhos: dois homens, que morreram em tenra idade; e uma menina, Beatriz, a qual mais tarde viria a casar-se com o filho do rei D. João I, D. Afonso, primeiro duque de Bragança.

Condestável por D. João I
Em 1383, diante da crise causada pela morte do rei D. Fernando, sem ter deixado filhos varões, seu irmão D. João, Mestre de Avis, viu-se envolvido na luta pela coroa lusitana, que lhe era disputada pelo rei de Castela por ter se casado com a filha do falecido rei. Tomando o partido de D. João, o qual o nomeou Condestável, isto é, comandante supremo do exército, Nuno conduziu o exército português repetidas vezes à vitória, até ser consagrado na batalha de Aljubarrota, em 14 de agosto de 1385, a qual acabou por determinar a resolução do conflito.

A  Perspicácia Militar de São Nuno de Santa Maria era acompanhado pela sua espiritualidade 

Dotes Militares
Os dotes militares de São Nuno eram, no entanto, acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela Eucaristia e pela Virgem Maria eram os alicerces de sua vida interior. O estandarte que elegeu como insígnia pessoal traz as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros de São Tiago e São Jorge. Construiu ainda às suas próprias custas numerosas igrejas e mosteiros, entre os quais se contam o Carmo de Lisboa e a Igreja de Santa Maria da Vitória.

Entrada no Convento
Após a morte de sua esposa, no ano 1387, Nuno recusou um novo casamento, tornando-se um modelo de pureza de vida. Quando finalmente alcançou a paz, distribuiu a maior parte de seus bens entre os seus companheiros, antigos combatentes, e acabou por se desfazer totalmente dos demais em 1423, quando decidiu entrar no convento carmelita por ele fundado, tomando então o nome de frei Nuno de Santa Maria.

São Nuno dedicou-se totalmente aos Serviços do Senhor e de Maria 

Abandono das Armas
Impelido pelo amor, abandonando as armas e o poder, para revestir-se da armadura do Espírito recomendado pela Regra do Carmo, essa era a opção por uma mudança radical de vida em que selava o percurso da fé autêntica que sempre o tinha norteado.

Abandono dos Privilégios
O Condestável do rei de Portugal, o comandante supremo do exército e seu guia vitorioso, o fundador e benfeitor da comunidade carmelita, ao ingressar no convento, abriu mão de todos os privilégios para assumir a condição mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor e de Maria — sua Padroeira que sempre venerou —, e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus.

Páscoa

São Nuno de Santa Maria morreu aos 71 anos de idade. Era o domingo de Páscoa, dia 1 de abril de 1431. Após sua morte, passou imediatamente a ser aclamado “santo” pelo povo que, desde então, começou a chamá-lo de “Santo Condestável”.

Via de Santificação

Nuno Álvares Pereira foi beatificado em 23 de janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV através do Decreto “Clementíssimus Deus”, e foi consagrado beato no dia 6 de novembro. O Santo Padre, Papa Bento XVI, durante o Consistório de 21 de fevereiro de 2009, determinou que o beato Nuno fosse inscrito no álbum dos santos no dia 26 de abril de 2009.

Minha oração

“São Nuno, que soube desapegar-se dos cargos para seguir a Deus por inteiro, rogai por nós para que não coloquemos o trabalho ou qualquer outro tipo de coisa acima do Senhor Jesus. Que Ele reine em nossas vidas e de nossas famílias. Amém.”

São Nuno de Santa Maria, rogai por nós!

RELÍQUIAS DE SÃO JOSÉ ALLAMANO – Rádio Monte Roraima FM 107,9


A Rádio Monte Roraima FM – convida você e família a vir visitar e orar dante da relíquia de São José Allamano.

A reliquia ficará exporta na capela até sexta-feira 01/11/2024, das 08h até as 18h00.

Deus quer dar esse milagre a você por intercessão de São José Allamano.

Informções: (95) 99116-1603
Monte Roraima FM – A serviço da Vida e da Cidadania.

O timoneiro, o orientador e a concretude da sinodalidade

A Assembleia Sinodal terminou, mas não o Sínodo, que é um processo, nem a Sinodalidade, que é uma forma de ser Igreja. Quatro semanas podem ou não valer muito, mas estou convencido de que o tempo gasto durante a Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que teve lugar na Aula Paulo VI de 2 a 27 de outubro de 2024, com dois dias de retiro prévio, dará frutos, trinta, sessenta ou cem por cento.

O timoneiro

Depois de tudo o que vi, resta-me aquilo a que chamaria o timoneiro, o orientador e a concretude. Os anos ajudam-nos a sedimentar, sobretudo quando vivemos e contemplamos a realidade do ponto de vista de Deus. O timoneiro de tudo o que a Igreja está a viver neste momento não é outro senão o Papa Francisco. Digo-o com base nas suas duas homilias e nos seus dois discursos, na abertura e no encerramento. Na missa da manhã de 2 de outubro, convidou-nos a procurar o caminho a seguir para chegar aonde Deus nos quer levar, tarefa nada fácil, dada a diversidade de proveniências e de ministérios eclesiais dos membros. Aqueles que sentem que perderam ou ganharam não compreendem o apelo de Francisco para que a Assembleia Sinodal seja um lugar de escuta em comunhão, não um parlamento.

A arrogância está presente quando, movidos pela autossuficiência, acreditamos que a nossa é a única forma de ser Igreja, com uma agenda a impor, e desprezamos aqueles que vemos como adversários; isso é superado pela fraternidade em comunhão, que leva a falar espontânea e abertamente, sem medo de rejeição, tornando-se pequenos e querendo estar entre os pequenos, nas periferias, ouvindo a voz do Espírito consolador, imagem do Deus misericordioso, que sabe e quer perdoar sempre e a todos.

O timoneiro procurou que todos remassem juntos e na mesma direção, apesar dos rebeldes que insistem em desafinar para que a sinfonia não soe bem. Na Igreja, ninguém é o que é sem o outro, incluindo o bispo de Roma, que deve também escutar para melhor orientar o leme de um barco em que ninguém falta, um barco sem muros, sem rigidez, que avançará na diversidade, sem condenações, através da experiência concreta que leva a descobrir o Espírito que sopra em todo o lado. Para isso, a Igreja não pode ficar sentada, muda, cega ou estática; temos de escutar o Senhor e sair de nós mesmos para caminhar juntos atrás d´Ele e com Ele.

O orientador

Considero Timothy Radcliffe como um dos grandes mentores da sinodalidade. O dominicano inglês é capaz de fazer uma leitura espiritual para ajudar a avançar nesta forma de ser Igreja a partir da escuta do Espírito Santo, que gera um sentimento de liberdade, que nos permite caminhar juntos e tomar decisões, pensar, falar e escutar sem medo. Só assim a Igreja Católica se pode renovar e responder a novas situações, assumindo “novas formas de ser Igreja que nos permitem estar em comunhão uns com os outros de uma forma mais profunda em Cristo e para Cristo”.

Antes de alguns o fazerem, Radcliffe já tinha avisado que “podemos ficar desiludidos com as decisões do Sínodo”, a quem deu a resposta: “pertençam à Igreja e digam Nós”. De fato, “não precisamos de ter medo do desacordo, porque nele atua o Espírito Santo”, Deus “atua suave e silenciosamente, mesmo quando as coisas parecem estar a correr mal”, como tem feito ao longo da história, “conduzindo-nos ao Reino por caminhos que só Deus conhece. A sua vontade para o nosso bem não pode ser contrariada”. De fato, “este é apenas um sínodo. Haverá outros. Não temos de fazer tudo, apenas tentar dar o próximo passo”.

Haverá sempre perguntas difíceis de responder, uma delas é: como pode a Igreja ser a comunidade dos batizados, todos iguais, e, no entanto, o Corpo de Cristo com diferentes papéis e hierarquias? Uma questão colocada pelo dominicano à Assembleia Sinodal. Para Radcliffe, “muitas pessoas querem que este Sínodo dê um Sim ou um Não imediato sobre várias questões”, daí a decepção de alguns. São aqueles que veem o Sínodo como um espaço “para negociar compromissos ou para bater nos adversários”. Perante isto, uma questão fundamental: “Teremos a coragem de confiar uns nos outros, apesar de alguns fracassos?”

A concretude

Finalmente, descobrir o que já temos de sinodalidade, que é algo que em maior ou menor grau existe, algo que o Arcebispo de Manaus, Cardeal Leonardo Steiner, fez. De fato, a sinodalidade tem a ver com diferentes realidades, entre elas o meio ambiente, já que na “Querida Amazónia, o Papa Francisco dá-nos uma hermenêutica da totalidade que é tremendamente sinodal”. Mas a sinodalidade também se manifesta na caminhada da Igreja na Amazônia. Ali, as mulheres, um dos grandes temas deste processo sinodal, “fizeram avançar as comunidades e hoje fazem avançar as nossas comunidades”.

Além disso, e aqui entra a questão das diaconisas, ele disse que “várias das nossas mulheres são verdadeiras diaconisas, sem terem recebido a imposição das mãos. E a estas diaconisas, gostaríamos de lhes chamar diaconisas, mas para não criar confusão com o ministério ordenado, ainda não encontrámos uma palavra adequada”. A partir daí, sublinhou que “é admirável, admirável, quantas mulheres são responsáveis pela nossa Igreja, é admirável”, mulheres que “estão à frente das comunidades”, ao ponto de que “a nossa Igreja não seria a Igreja que é sem a presença das mulheres”.

São passos que estão a ser dados, talvez não ao ritmo que gostaríamos, mas ao ritmo de todos, um processo que nos deve levar a compreender que “o Sínodo para a Amazônia abriu a possibilidade de ter um Sínodo de Sinodalidade”, e que “a sinodalidade é um caminho sem retorno”, porque “estamos todos a entrar num movimento de ser Igreja, estamos a ser convidados a participar num modo de ser Igreja onde todos aqueles que receberam a graça do batismo e da confirmação, foram revestidos do Espírito Santo e de Jesus, se sentem responsáveis pela missão”.

Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

São Narciso, o bispo de Jerusalém

Origens 

São Narciso foi Bispo de Jerusalém e, quando se deu tal fato, devia ter quase cem anos de idade. Narciso não era judeu e teria nascido no ano 96. Homem austero, penitente, humilde, simples e puro, sabe-se que presidiu com Teófilo de Cesareia a um concílio onde foi aprovada a determinação de se celebrar sempre a Páscoa num Domingo.

Transformação da água em óleo 

Eusébio narra que, em certo dia de festa, em que faltou o óleo necessário para as unções litúrgicas, Narciso mandou vir água de um poço vizinho e, com a sua bênção, a transformou em óleo. Conta também as circunstâncias que levaram Narciso a demitir-se das suas funções.

Acusado Falsamente 

Para se justificarem de um crime, três homens acusaram o Bispo Narciso de certo ato infame. “Que me queimem vivo — disse o primeiro —, se eu minto”. “E a mim, que me devore a lepra”, disse o segundo. “E que eu fique cego”, acrescentou o terceiro. O desgosto de ser assim caluniado despertou em Narciso o seu antigo desejo pelo recolhimento e, por isso, sem dizer para onde iria, perdoou os caluniadores e saiu de Jerusalém em direção ao deserto. 

São Narciso: protegido pela justiça divina 

Considerando-o definitivamente desaparecido, deram-lhe por sucessor a Dio, ao qual por sua vez sucederam Germânio e Górdio. Todavia, os três caluniadores não tardaram a sofrer os castigos que em má hora tinham invocado, pois o primeiro pereceu num incêndio com todos os seus, o segundo morreu de lepra e o terceiro cegou à força de tanto chorar o seu pecado.

Páscoa

Alguns anos depois, Narciso reapareceu na cidade episcopal. Nunca tinha sido posta em dúvida a santidade do seu procedimento, por isso foi com imensa alegria que Jerusalém recebeu seu antigo pastor. Segundo diz Eusébio, continuou Narciso a governar a diocese até a idade de 119 anos, auxiliado por um coadjutor chamado Alexandre. Faleceu cerca do ano de 212.

Minha oração

“Pedimos ao padroeiro de Jerusalém, que cuidai dos cristãos naquela região. Fortalecei a fé desse povo e promove novas conversões, grandes conversões. Ajudai o povo para que encontrem na terra de Jesus a sua presença e experiência. Amém!”

São Narciso, rogai por nós!