perfil materia

Início da Programação em Comemoração a Nossa Senhora Aparecida em Boa Vista

Fé e Devoção Marcam o Dia 12 de Outubro

Neste dia sagrado, Boa Vista celebra com devoção e alegria o Dia de Nossa Senhora Aparecida. Desde as primeiras horas da manhã, a cidade testemunhou uma fervorosa demonstração de fé e amor à padroeira do Brasil. A Rádio Monte Roraima FM está realizando uma cobertura completa deste evento especial.

As festividades tiveram início às 5:00 da manhã, com uma missa. Centenas de fiéis se reuniram para participar desta cerimônia que marca o início das celebrações em honra à padroeira. As palavras de esperança e devoção ressoaram, unindo corações em oração.

Às 6:00, um ato de grande devoção e simbolismo tomou as ruas de Boa Vista, começaram uma devota peregrinação. Pedalando com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, os fiéis dirigiram-se à Igreja Nossa Senhora da Consolata. As ruas da cidade testemunharam esse ato de fé, com cânticos e orações.

Lucas Rosetti, nosso reporter de mídias sociais, esteve lá de perto para capturar o espírito dessa manifestação de fé e nos reportou em vivo em Monte Roraima Noticias 1 Edição: ”Mais de 200 pessoas,  compartilhando suas histórias e emoções. Muitos expressaram sua gratidão e devoção à Virgem Maria, destacando a importância de Nossa Senhora Aparecida em suas vidas”.

A programação continua ao longo do dia, com duas missas na Reitoria de Nossa Senhora Aparecida, às 12:00 e 16:00 horas. Os fiéis se reunirão para mais momentos de oração e reflexão, fortalecendo sua conexão com Nossa Senhora.

À noite, a Romaria será o ponto culminante do dia, marcando uma caminhada coletiva de fé e devoção. Às 19:00 horas, os fiéis se unirão para expressar sua devoção por meio dessa tradicional procissão. O evento será encerrado com uma Missa Solene, proporcionando um momento de profunda espiritualidade.

O Dia de Nossa Senhora Aparecida em Boa Vista é uma celebração de fé e amor, unindo a comunidade em torno de sua devoção à padroeira do Brasil.

A Rádio Monte Roraima FM continua sua cobertura para levar aos ouvintes os momentos mais significativos desta data especial.

Nossa Senhora Aparecida, a rainha e padroeira do Brasil

Origens 

Na manhã de 12 de outubro de 1717, três pescadores lançaram seus barcos no Rio Paraíba, que escorria até a sua cidade. Eles tinham sido encarregados de trazer peixes para o banquete, que se realizaria no dia seguinte, na cidade de Guaratinguetá. Foi pela ordem do conde Assumar, Dom Pedro de Almeida Portugal, governante da capitania de São Paulo e Minas Gerais, a exigência dos peixes do Rio Paraíba. Os três pescadores, Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso, pareciam não ter sorte naquela manhã. 

Após várias tentativas infrutíferas, tinham quase desistido, quando João Alves tentou novamente. Ele jogou sua rede nas águas do rio e, lentamente, a puxou para cima. Havia pescado alguma coisa, mas não era peixe, parecia uma espécie de madeira.

A Milagrosa Pesca

Quando tirou da rede, o pedaço de madeira parecia fazer parte de uma estátua da Virgem Maria, infelizmente, sem cabeça. Ao lançar novamente a rede, desta vez, João Alves encontrou nas malhas outro pedaço de madeira, de forma arredondada, que parecia precisamente a cabeça da mesma estátua: tentou ajuntar os dois pedaços e percebeu que se encaixavam perfeitamente. Como que atraído por um impulso, João Alves lançou, outra vez, a rede nas águas, mas ela tinha ficado tão pesada, que não conseguia tirá-la, por estar lotada de peixes. Então, seus companheiros lançaram também as suas redes nas águas e a pesca daquele dia foi realmente abundante.

O primeiro lugar de devoção: uma casinha humilde

No dia seguinte, os três pescadores juntaram os dois pedaços da estátua, limparam-nos dos detritos do rio e Filipe Pedroso a colocou na sua humilde casa. Em pouco tempo, a notícia da pesca milagrosa se difundiu pelas cidades vizinhas e, todas as noites, um grupo cada vez maior de simples pescadores começou a ir prestar homenagem à Virgem Maria e rezar o terço. Eles deram-lhe o nome de “Aparecida”, que apareceu. 

Nossa Senhora Aparecida: Mãe na simplicidade

A Capela

Com o passar do tempo, a multidão tornou-se tão numerosa que a casa do pescador não a podia conter mais. Por isso, foi construída um primeiro oratório e, depois, em 1737, uma Capela maior. Foram muitos os testemunhos de graças e milagres alcançados naquele pequeno santuário.

A Basílica Velha 

Em 1834, foi iniciada a construção de uma igreja maior – a atual Basílica Velha, – concluída em 1888 e a estátua foi transferida. Em 1904, a imagem foi coroada a pedido do Papa Pio X. Em 1908, a igreja recebeu o título de Basílica Menor, sagrada em 1909. Em 1930, o Papa Pio XI a elevou a Basílica, declarando Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil.

Rainha e Padroeira do Brasil 

Em 1929, no encerramento do Congresso Mariano, Nossa Senhora Aparecida foi proclamada Rainha do Brasil, sob a Invocação de Aparecida. Em 31 de maio de 1931, a imagem aparecida foi levada ao Rio de Janeiro, para que diante dela, Nossa Senhora Aparecida recebesse as homenagens oficiais de toda a nação, estando presente também o Presidente da República, Getúlio Vargas. Nossa Senhora Aparecida foi aclamada, então, por todos como “Rainha e Padroeira do Brasil”. Em 1958, a cidade da Aparecida foi elevada a arcebispado, sendo seu primeiro arcebispo o cardeal Mota. Em 1967, Aparecida recebeu a Rosa de Ouro enviada pelo papa Paulo VI.

O Maior Santuário Mariano do Mundo

O Santuário Nacional de Aparecida

Em 1980, o altar da Basílica Nova, maior Santuário mariano do mundo, foi consagrado pelo Papa João Paulo II, que lhe outorgou o título de Basílica Menor. Em 1983, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB –, declarou, oficialmente, a Basílica de Aparecida como Santuário Nacional.

Hoje, o Santuário é um grande centro evangelizador, confiado ao zelo apostólico dos Missionários Redentoristas desde 1894, responsáveis pela pastoral e pela administração, no atendimento aos romeiros e peregrinos que chegam de todas as partes do País e do exterior.

Visita de três Papas 

Três Papas visitaram o Santuário Nacional: João Paulo II, no ano de 1980, Papa Bento XVI, quando abriu a V Conferência Episcopal Latino-americana e do Caribe em maio de 2007 , e Papa Francisco em 2013, por ocasião das atividades da Jornada Mundial da Juventude, realizada neste ano no Rio de Janeiro.

Devoção do Povo brasileiro 

A devoção a Virgem Imaculada Conceição Aparecida, com o passar dos anos, tornou-se cada vez maior, e muitas graças foram obtidas. A grande afluência de visitantes — explica o padre Valdivino Guimarães, missionário redentorista —, “deve-se sobretudo ao acolhimento, às infraestruturas, ao apoio significativo dos meios de comunicação (incluindo a Rádio e a TV Aparecida, a Revista Aparecida) e, em especial, à grande devoção do povo brasileiro a Nossa Senhora Aparecida”.

Minha oração

 “Ó Maria, nossa Mãe e padroeira do Brasil, Tu que aparecestes nas redes dos pescadores sem a cabeça para simbolizar o martírio dos teus filhos, escravizados, libertai o povo brasileiro de toda a escravidão do pecado, das doenças e das mazelas morais. Sede nossa mãe e consoladora, portadora da esperança e sinal do teu Filho Jesus. Por Cristo Nosso Senhor. Amém!”

Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!

Outros santos e beatos celebrados em 12 de outubro: 

  • Em Roma, junto à Via Laurentina, Santo Hedisto, mártir. († data inc.)
  • Em Anazarbo, na Cilícia, Turquia, Santa Senhorinha, mártir. († c. 304)
  • Comemoração dos quatro mil novecentos e sessenta e seis mártires e confessores da fé, entre eles estavam os bispos Cipriano e Félix, insignes sacerdotes do Senhor. († 483)
  • Em Piacenza, na Emília-Romanha, região da Itália, Santo Opílio, diácono. († c. s. V)
  • Em Roma, São Félix IV, papa, que transformou dois templos do Foro Romano na igreja dedicada aos santos Cosme e Damião e trabalhou com grande zelo pela fé católica. († 530)
  • Na província do Nórico Ripense, atualmente na Áustria, São Maximiliano, que é venerado como bispo de Lorch. († a. s. VII)
  • Em Pavia, na Lombardia, região da Itália, São Rotobaldo, bispo. († 1254)
  • Em Áscoli, cidade do Piceno, atualmente nas Marcas, região da Itália, São Serafim de Monte Granaro, religioso da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. († 1604)
  • Em Londres, na Inglaterra, o Beato Tomás Bullaker, presbítero da Ordem dos Frades Menores e mártir. († 1642)
  • Em Oviedo, na Espanha, o Beato Eufrásio do Menino Jesus , presbítero da Ordem dos Carmelitas Descalços e mártir. († 1934)
  • Em Ribarroja de Túria, localidade da província de Valência, também na Espanha, o Beato José González Huguet, presbítero e mártir. († 1936)
  • Em Massamagrel, na província de Valência, o Beato Pacífico de Valência, religioso da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e mártir. († 1936)
  • No campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, o Beato Romão Sitko, presbítero e mártir. († 1942)

Fonte:

  • A12.com
  • Livro “Santos de cada dia” – José Leite, SJ [Editorial A.O. Braga, 2003]
  • Livro “Relação dos Santos e Beatos da Igreja” – Prof Felipe Aquino [Cléofas 2007]
  • Martirológio Romano
  • Santiebeati.it
  • Vaticannews.va
WhatsApp Image 2023-10-10 at 1.18.16 PM (2)

JORNADA DE PREDOCUMENTAÇÃO DA PASTORAL DOS MIGRANTES EM RORAIMA

Unindo Forças para Apoiar os Migrantes

Nesta terça feira (10), a Pastoral dos Migrantes da Diocese de Roraima re inicia fase II da Jornada de Predocumentação que iniciou nos municípios de Rorainópolis, Caracaraí e Iracema, no interior do estado de Roraima.

”Durante os meses de agosto e setembro, nossa equipe trabalhou incansavelmente para atender e predocumentar migrantes que necessitavam de apoio em seus processos de regularização migratória. Com a colaboração de parceiros como a Rede Caritas, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), a AVSI e a Força-Tarefa em conjunto com a Operação Acolhida, conseguimos realizar esse trabalho crucial”, informou a Irmã Terezinha Santin, Coordenadora da Pastoral dos Migrantes.

A partir desta semana, estamos dando mais um passo importante em direção à conclusão desses processos. Todas as terças-feiras, um ônibus providenciado pela Operação Acolhida, foi disponibilizado para transportar as pessoas que já foram atendidas e predocumentadas. Isso é particularmente significativo, pois muitos migrantes que vivem no interior enfrentam desafios financeiros consideráveis quando precisam se deslocar para concluir seus processos de regularização.

As jornadas de predocumentação abrangeram uma variedade de serviços, incluindo a obtenção de residência e refúgio, tanto para aqueles que estão passando por esse processo pela primeira vez quanto para aqueles que precisam renovar seus documentos. Também ajudamos no processo de retirada da Carteira de Registro Nacional Migratório (CRNM).

É importante destacar a importância dessas jornadas conjuntas. Ao trabalharmos em colaboração com nossos parceiros e com o apoio de todos os envolvidos, os migrantes têm acesso facilitado a serviços essenciais. Para um migrante que reside no interior, a mobilização pode ser um desafio significativo, mas com a ajuda de nossa iniciativa, tornamos esse processo mais acessível e eficiente.

transferir

Será feita a Assembleia Extraordinária da Rede Cáritas da Diocese de Roraima

Unindo Espíritos em Busca da Renovação

A comunidade da Diocese de Roraima se prepara para um evento significativo que marcará mais um passo na jornada de solidariedade e caridade. A Assembleia Extraordinária da Rede Cáritas da Diocese de Roraima está agendada para os dias 14 e 15 de outubro, e será realizada no Colégio Claretiano. ”Este evento, anunciado em maio durante a Assembleia Eletiva da Cáritas Diocesana, tem como objetivo central a reflexão sobre a caminhada da Rede Cáritas, o aprofundamento da espiritualidade da caridade e a revisão dos estatutos da Cáritas Diocesana”, informou a Irmã Terezinha Santin, Presidenta da Rede Caritas.

A assembleia contará com a presença de Dom Adolfo Zon Bispo de Alto Solimões, representante regional da Cáritas, e do Bispo Dom Evaristo, que também estará presente, reforçando o compromisso da Igreja Católica com essa nobre causa.

A primeira manhã da Assembleia será dedicada a um seminário aberto, convidando todos aqueles que desejam participar desse evento especial. Durante esse seminário, haverá reflexões profundas sobre a realidade que a Rede Cáritas enfrenta, o contexto em que atua e as perspectivas para o futuro. A dinâmica será participativa, promovendo a colaboração de todos os presentes na construção e compartilhamento de experiências relacionadas à caminhada da Rede Cáritas.

Na tarde, a assembleia continuará com os inscritos especificamente para essa finalidade, mergulhando em uma tarde de espiritualidade e reflexão profunda. No dia seguinte, os participantes se concentrarão na análise e coleta dos elementos que orientarão o caminho e o processo de renovação da Cáritas Diocesana.

Este evento é visto como um passo importante na direção da sinodalidade na Diocese de Roraima, refletindo a unidade e a colaboração de todos os envolvidos na missão da Cáritas. Acredita-se que a espiritualidade, a reflexão e o compartilhamento de experiências contribuirão para uma rede mais forte, comprometida e eficaz, capaz de enfrentar os desafios e oportunidades em prol daqueles que mais necessitam.

Neste momento, a comunidade da Diocese de Roraima se reúne em nome da caridade e da solidariedade, reforçando o compromisso com a missão da Igreja Católica de servir aos menos favorecidos. Como ecoa o cântico, “Tudo está interligado”, e nesta Casa Comum, todos caminham juntos em busca de um mundo mais justo e compassivo.

WhatsApp Image 2023-10-09 at 4.48.24 PM

Foi eleita a nova Coordenação da Vida Religiosa Consagrada – Núcleo Roraima

Novos Líderes para uma Nova Jornada Sinodal

Nos dias 5 e 6 de outubro, o Núcleo Roraima da Coordenação da Vida Religiosa Consagrada (CRV) testemunhou um momento de renovação e comprometimento com os princípios da Igreja Católica durante sua assembleia eletiva. Os membros da CRV reuniram-se para eleger sua nova coordenação, em conformidade com a visão sinodal preconizada pelo Papa Francisco.

A assembleia, que contou com a participação de religiosos de diversas congregações, foi marcada por dois dias de debates, análises e reflexões sobre o caminho sinodal, de acordo com as diretrizes estabelecidas pela Santa Sé. A busca por uma liderança comprometida com a missão da Igreja e os desafios do mundo contemporâneo permearam todas as discussões.

A nova equipe de coordenação da CRV do Núcleo Roraima foi eleita com entusiasmo e esperança para liderar a comunidade religiosa local em sua jornada de serviço à fé e à sociedade. Os eleitos são:

  • Irmão Enos Ahgelo-Marista
  • Irmã Josiane Sousa Horta – Religiosas Missionárias de Nossa Sra. das Dores
  • Padre Osar Liofo – Missionários da Consolata
  • Irmã Maria das Graças Silva – Instituto São José
  • Padre Deivith Zanioli – Missionários Combonianos

A nomeação desses líderes representa um passo significativo para a comunidade religiosa de Roraima, uma vez que se comprometem a orientar e fortalecer a presença da Igreja Católica na região. Cada um dos membros da nova coordenação traz consigo uma rica experiência e uma profunda dedicação à vida religiosa e à missão da Igreja.

A assembleia eletiva foi um momento de união e solidariedade entre as diferentes congregações religiosas presentes em Roraima. Foi também um testemunho do compromisso da comunidade religiosa local em responder aos desafios e oportunidades que surgem em um mundo em constante transformação.

Parabenizamos a nova coordenação da CRV e gratidão aos membros que se dedicaram a esse importante processo de eleição. As orações e o apoio estão com os líderes recém-eleitos, na certeza de que continuarão a guiar a comunidade religiosa de Roraima com sabedoria e amor.

Que Deus abençoe a nova coordenação e todos os membros da comunidade religiosa de Roraima em sua jornada de fé e serviço.

Celebrando a Devoção a Nossa Senhora Aparecida em Roraima

Uma Jornada de Fé e Construção do Santuário

Roraima, um estado abençoado pela natureza e pelas manifestações de fé de seu povo, tem uma história devoção especial a Nossa Senhora Aparecida que remonta a tempos passados, marcando profundamente a cultura religiosa da região. O Padre Vantu Neto, compartilhou conosco três momentos cruciais dessa jornada de fé, que culminam com a construção do Santuário de Nossa Senhora Aparecida.

  1. Os Primeiros Passos da Devoção: A história dessa devoção começa no tempo dos padres Beneditinos, quando uma pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida foi colocada na igreja matriz da missão de Nossa Senhora do Carmo, em Boa Vista. Essa imagem era o símbolo de uma fé crescente na região, um sinal do amor que os fiéis nutriam pela Virgem Maria.
  2. A Fundação da Comunidade: Em 1968, um marco significativo foi alcançado quando foi fundada uma comunidade dedicada à Nossa Senhora Aparecida. A partir desse momento, os eventos ligados à devoção a Nossa Senhora Aparecida começaram a se tornar parte essencial da vida religiosa em Roraima.
  3. A Romaria e a Instituição do Santuário: Em 1984, o Bispo da época, Dom Aldo Mogiano, instituiu a primeira Romaria Diocesana, com o título “Romaria Roraima”. Este evento marcante cresceu ao longo dos anos e, até o próximo ano, celebraremos a trigésima nona versão da romaria. O evento se tornou a maior manifestação religiosa da diocese, unindo toda a cidade de Boa Vista em uma procissão até a Capelinha de Nossa Senhora Aparecida. Esse foi o início de um movimento que demonstrava não apenas a religiosidade popular, mas também um profundo sentimento mariano na diocese.

Durante a pandemia de 2020, foram contratados arquitetos e artistas renomados para dar vida a essa visão. Atualmente, as primeiras plantas e desenhos já estão prontos, e a construção do Santuário é um sonho que está prestes a se tornar realidade.

No dia 12 de outubro, durante a celebração das festas de Nossa Senhora Aparecida, Dom Evaristo lançará oficialmente a campanha para a construção do Santuário. Este é um convite à comunidade de Boa Vista e a todos os fiéis a participarem ativamente desse projeto de fé e devoção.

Além disso, as festividades que antecedem o grande dia incluem momentos de oração, novena e celebrações eucarísticas diárias às 5 da manhã e às 7 da noite. O auge acontece no dia 12, com uma pedalada matinal e uma grandiosa romaria as 19h saindo da igreja de Nossa Senhora da Consolata em direção ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida.

Esta jornada de fé é um testemunho da devoção e união da comunidade de Boa Vista e de Roraima como um todo. O Santuário de Nossa Senhora Aparecida será um marco que perpetuará essa devoção por gerações vindouras, unindo a fé em uma das figuras mais amadas da fé católica.

A celebração continua, e todos estão convidados a fazerem parte dessa jornada de amor e fé.

WhatsApp Image 2023-10-06 at 11.44.40 AM

Será Inaugurada a Casa da Caridade ”Papa Francisco”

Visa realizar um serviço verdadeiramente sinodal conforme o convite do Papa Francisco.

O Convite realizado pelo Dom Evaristo, Bispo de Roraima para um encontro especial dedicado à comunidade de Roraima. O evento marca o anúncio e a celebração da inauguração da Casa da Caridade Papa Francisco, agendada para o próximo dia 13 de outubro, às 19 horas, na Rua Floriano Peixoto, ao lado da sede da Rádio Monte Roraima, próximo à igreja matriz.

Com palavras de entusiasmo, o Padre Lúcio Nicoletto, Vigario Geral, compartilhou a história e a importância do projeto Casa da Caridade. O Padre destacou a rica herança histórica ligada a esse projeto, que remonta à fundação da Diocese de Roraima em 1907, com a presença dos monges beneditinos, que desempenharam um papel fundamental na trajetória da fé local.

O Padre ressaltou ainda a contribuição das monjas beneditinas, que em 1921, a pedido do Bispo Dom Pedro Eguerar, construíram o Hospital Nossa Senhora de Fátima, tornando-se a única unidade hospitalar pública na bacia do Rio Branco na época. A casa das monjas também desempenhou um papel importante na comunidade, servindo como centro de pastoral e, posteriormente, como um projeto conhecido como “Nós Existimos”, que operou até 2014.

No entanto, a casa ficou fechada e embargada devido a questões judiciais. O empenho incansável do economo diocesano, Dr. Vivaldo, e do advogado Dr. Sena, finalmente, liberou o edifício de todas as pendências legais. Foi então que o projeto da Casa da Caridade Papa Francisco começou a tomar forma.

Padre Lúcio Nicoletto mencionou que a ideia foi apresentada ao Papa Francisco durante sua visita aos bispos do Norte, onde ele representou a Diocese de Roraima. O Papa apoiou a visão de reformar a antiga casa das monjas beneditinas para reunir todas as pastorais, movimentos e serviços organizados em nível diocesano, com o propósito de trabalhar em conjunto na dimensão da caridade.

O projeto consiste em dois blocos: a Casa da Caridade 1, na antiga casa das monjas beneditinas, e a Casa da Caridade 2, que incluirá o bloco das pastorais sociais localizado nas proximidades do Colégio São José. Entre as pastorais que trabalharão na Casa da Caridade, estão a Pastoral da Criança, a Pastoral de Imigrantes, a Cáritas, a Comissão da Pastoral da Terra, a Pastoral da Saúde, a Pastoral Carcerária, a Pastoral da Juventude, a Pastoral Indigenista, o SIME, a REPAM e a coordenação das pastorais sociais.

WhatsApp Image 2023-10-04 at 6.56.22 PM

Foi realizada a Festa de São Francisco, padroeiro da comunidade

Celebrando 70 Anos da Igreja São Francisco das Chagas em Boa Vista.

A comunidade de São Francisco, em Boa Vista, viveu um dia repleto de fé, devoção e alegria nesta quarta-feira, 5 de outubro, ao celebrar a Festa de São Francisco e os 70 anos da Igreja São Francisco das Chagas. Esta festa atraiu centenas de fiéis para comemorar esta data especial e reforçar os laços de fé que unem a comunidade há décadas.

As festividades começaram com a tradicional procissão, que teve início às 17h. Fiéis de todas as idades, seguiram a imagem de São Francisco pelas ruas da comunidade, cantando hinos religiosos e demonstrando sua devoção ao santo padroeiro. Durante a procissão, conversamos com Elenilzo, um dos fiéis que acompanhou o evento e disse: “Eu sou de Ceará, á 8 anos que fiquei neste Estado e participar da procissão de São Francisco, é uma tradição que passa de geração em geração na minha famíliae da minha esposa. Fizemos uma promessa e a gente sempre vêm regularmente. É uma questão de devoção mesmo, momento de união e renovação da fé.

Após a procissão, os fiéis se reuniram na igreja para a missa solene em homenagem a São Francisco das Chagas. O Padre Lucio Nicoletto, conduziu a Procissão e celebração, ressaltando a importância da devoção a São Francisco e o significado dos 70 anos da igreja na comunidade. Durante a missa, houve cânticos e orações especiais para agradecer pelas bênçãos e pela história da paróquia.

O ponto alto da celebração foi o Jubileu de Vinho, que marca os 70 anos da Igreja São Francisco das Chagas. Este momento especial foi celebrado com muita alegria e emoção pela comunidade, que se uniu para agradecer e celebrar as sete décadas de história da igreja que desempenhou um papel fundamental na vida espiritual dos moradores de São Francisco.

Após a missa, os fiéis continuaram a festa no arraial, que contou com uma grande diversidade de comidas típicas, brincadeiras tradicionais e um animado bingão. As famílias se reuniram para compartilhar momentos de convívio e alegria, reforçando os laços comunitários e celebrando a fé que os une.

O Festejo de São Francisco das Chagas na comunidade de São Francisco em Boa Vista e a história de 70 anos da Igreja São Francisco é uma história de fé, devoção e amor que continua a ser escrita pelas gerações presentes e futuras. Que São Francisco continue a abençoar e guiar a comunidade de São Francisco por muitos anos.

Reportagem: Libia López

Fotos: Lucas Rosetti

As fantasias e elucubrações sobre o conceito JAMAIS no pronunciamento da CNBB

“É muito cômodo usar da condenação das mulheres como arma para defender a vida de um provável devir de ser humano. E é também mais cômodo atribuir a Deus as suas decisões rígidas sem abrir as portas do coração à compaixão necessária à sobrevivência humana e do planeta”, escreve Ivone Gebara, religiosa pertencente à Congregação das Irmãs de Nossa Senhora, filósofa e teóloga, que lecionou durante quase 17 anos no Instituto Teológico do Recife – ITER e que dedicou-se a escrever e a ministrar cursos e palestras, em diversos países do mundo, sobre hermenêuticas feministas, novas referências éticas e antropológicas e os fundamentos filosóficos e teológicos do discurso religioso.

Eis o artigo.

Escrevem os bispos católicos brasileiros a respeito da ADPF ou Arguição de Descumprimento do Preceito Fundamental e da posição da ministra Sra. Rosa Weber que foi a favor da descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação.

“Jamais aceitaremos quaisquer iniciativas que pretendam apoiar e promover o aborto”.

“Jamais um direito pode ser exigido às custas de outro ser humano, mesmo estando apenas em formação”.

“Se até hoje o aborto não foi aprovado como querem os autores da ADPF não é por omissão do Parlamento, senão por absoluta ausência de interesse do povo brasileiro, de quem todo poder emana, conforme o parágrafo único do artigo primeiro da Constituição Federal”. (Cf. Nota da CNBB – Vida: direito inviolável – 14 de setembro 2023)

Atrevo-me a comentar em grandes linhas esse texto que me moveu as entranhas de tristeza e espanto frente a ‘insustentável leveza” de seus argumentos. Um pensamento tão categórico e tão cheio de argumentações conclusivas e limitadas como esse merece uma breve reflexão filosófica feminista como convite ao pensamento. Exige que abramos pequenos espaços de reflexão sobre a moralidade e religiosidade que marcam nossas condutas no interior do complexo pluralismo no qual vivemos. O pluralismo atual convida-nos a uma reflexão que vai mais além de nossas velhas tradições, convicções e temores muitas vezes implantados em nós como uma segunda ou até primeira natureza. Convida-nos a uma atenção mais aguda aos valores que dizemos viver e sua real possibilidade traduzidos como comportamentos habituais.

questão do aborto é apenas a ponta de um iceberg que toca a compreensão que o cristianismo patriarcal tem dos seres humanos e das forças que o constituem. Compreensão significa pensamento e pensamento situado e datado a partir dos vários aspectos da vida humana. Compreender é apreender algo a partir da situação vivida. Por exemplo, se falamos que somos seres violentos por natureza, muitos imediatamente tentarão negar isso e afirmar a perfeição através da chamada ‘não violência’ como se a oposição não estivesse contida na própria afirmação.

Uma lógica dualista persiste na formação filosófica e teológica dos prelados que não conseguiram ainda apreender na prática a unicidade e interdependência de tudo com tudo. A não violência é também uma sementeira de violências. E é isso que está presente também nas elucubrações absolutas e dogmáticas dos senhores bispos fundadas em uma limitada compreensão da chamada ‘vontade divina’.

Sabemos bem que todo problema nasce de uma situação dada. Se modificamos a situação modifica-se o problema e até a possível solução. Dependendo da situação um suicídio pode ser válido, diante de outra situação matar pode ser uma saída frente a uma ameaça que exija defesa da própria vida. Servir o exército e ser convocado para uma guerra é admitir que se pode matar o outro considerado inimigo. E nas muitas ‘guerras santas’ empreendidas também pela Igreja Católica aliada dos poderes estabelecidos, jovens guerreiros sabiam que iam matar ou morrer. Por isso, o uso do jamais é uma petição de princípio dentro da mais elementar lógica clássica, uma petição de princípio também inaceitável dentro da lógica do próprio Evangelho que os bispos afirmam conhecer, difundir e amar.

Por que pensam ou falam especificamente de crime e de defesa da vida quando se trata de interrupção da gravidez? O que sabem das razões e situações das várias interrupções da gravidez? É quem são as pessoas vítimas das advertências dos bispos?

E mais, por que culpabilizam as mulheres e se esquecem dos homens, dos estupradores, da violência impetrada continuamente contra mulheres e crianças? Por que se arvoram a exigir do Estado laico a obediência às suas normas religiosas e não exigem cuidados e direitos às cidadãs e aos cidadãos marginalizados ou excluídos?

Além disso, sabemos bem que na prática quem tem dinheiro tem direito ao aborto! Para que possui o ‘vil metal’ esse procedimento é tornado legal, pois não sofre nenhuma censura pública. O dinheiro é capaz de encobrir tudo o que não se quer mostrar e dar a impressão de legalidade. Por essa razão bem conhecida, me parece que os bispos dirigem sua advertência à população pobre, notadamente aquelas mulheres vítimas da falta de condições econômicas que precisam se sujeitar às leis do país e aos diferentes grupos que as manipulam para terem um tratamento de saúde minimalista. É triste constatar isso quando gastamos anos na Igreja Católica falando da opção preferencial pelos pobres!

Não poderíamos pensar a partir de outra lógica entre as muitas que povoam nossas vidas e culturas? Porque não pensar que a vida nos obriga muitas vezes a escolher no imediato e, escolher não é sempre escolher o melhor, mas aquilo que é possível na luta pela sobrevivência de cada dia. É como ter que privilegiar uma vida e não outra por múltiplas razões. É assumir o limitado e triste poder de ter que privilegiar ou até substituir uma vida pela outra e afundar-se na imperfeição dos seres humanos, dos nossos limites, de nossa precária imanência constitutiva, nas dores e dúvidas que tudo isso nos causa.

interrupção da gravidez poderia ser considerada uma substituição de uma vida em germe por outra com responsabilidade social, com obrigações, direitos e deveres, com história vivida, com escolhas, com certa independência e responsabilidade de vida. Os argumentos sempre podem conter dúvidas, porém a dúvida é parte da vida e dos riscos que vivemos. Alguns homens cristãos nos campos de concentração foram capazes de morrer para que outros vivessem sobretudo em eventos de troca de prisioneiros. É uma vida por outra e isto está bem presente na tradição cristã e em outras tradições.

Um pai aceita morrer doando ao filho um órgão vital para transplante. Uma mãe prefere morrer para que a filha viva. Essa ‘troca’ está na lógica da vida e da tradição do Movimento de Jesus a partir da qual até se afirmou que Jesus morreu por nós.

O espantoso é que os homens da Igreja, sobretudo alguns que detêm responsabilidades religiosas e sociais, não percebem que a lógica do JAMAIS está distante da vida ordinária que vivemos. Continuam usando uma lógica absoluta sobretudo quando se trata da vida das mulheres. Por quê? De onde nos vêm esse privilégio às avessas?

Vida e morte estão absolutamente entrelaçadas, é obvio. Por isso, temos que fazer as perguntas que podem ser respondidas de forma sempre diversa pelas pessoas de nosso tempo. O JAMAIS não responde a nada. Apenas levanta muros, cria ilusões, falsos argumentos e mentiras. Por isso, suspeito que há um outro fundo oculto do problema nesse problema do aborto abordado pelos bispos. E este se chama sexualidade ou simplesmente sexo. No fundo o cristianismo sobretudo católico sempre temeu a força vital do sexo por sua impressionante magnitude, pelo lugar que ocupa nas relações humanas, pelo inebriamento e atração dos corpos que provoca sobretudo naqueles que prometeram viver como célibes negando ou renunciando a essa força em si mesmos. A negação do sexo seria a negação do prazer, a negação do prazer corpóreo, da natureza constitutiva dos corpos. Seria a pretensão de viver para além do corpo no corpo, seria fazer-se ‘eunuco pelo reino de Deus’, como costumam dizer. Filosoficamente seria a oposição e luta contínua entre espírito e matéria apostando-se na vitória do espírito.

Entretanto, quando o sexo se apresenta de forma violenta trazendo as consequências de uma gravidez, castiga-se a vítima, sobretudo a menina, a mulher porque ela é considerada a tentadora, ela é a iniciadora da confusão dos corpos e é dela que depende em grande parte a continuação da espécie. Os velhos fantasmas do sexo voltam e buscam os dogmatismos para defender-se da verdade que habita no fundo de cada uma/um de nós.

O princípio idealista e imaginário do respeito absoluto à vida vem então à tona e se apela a ele como última instância legisladora dos comportamentos. Não se percebe que a mobilidade da vida com suas afirmações e negações está presente nesse princípio como uma espécie de horizonte para o qual tendemos e tentamos caminhar sempre. Da mesma forma, o sistema arcaico de pureza que se impôs na Igreja e se impõe ainda hoje leva a continuas transgressões de comportamento e falsidades discursivas que acabam atingindo sempre a vida dos mais pobres.

A crise existencial está instaurada de diferentes maneiras, inclusive no apego aos dogmatismos e moralismos que se manifestam em muitas instituições religiosas. Não se ousa mudar porque perde-se poder e perde-se o frágil equilíbrio pessoal e institucional. Então se fala em JAMAIS e se argumenta através de perfeições impossíveis.

A ambiguidade da vida, os limites da condição humana, as mentiras que nos sustentam assim como as verdades exigem de cada um/uma de nós o esforço para sair de uma fé imaginária, de uma afirmação ilusória das exigências de Deus que sustenta o poder de muitos. Sei que estou talvez pedindo muito, porém um esforço em vista de acolher o que é ‘nossa vida de fato’ e não apenas o que ‘deveria ser’ poderia se tornar um processo educativo transformativo e eficaz em vista do bem comum.

Infelizmente a real situação da vida de muitas mulheresadolescentes e crianças cuja vida é constantemente ameaçada, inclusive pelos detentores do poder religioso, nos levam a perceber o quanto é mais fácil preferir uma ilusão, uma imagem aparentemente justa mas ao mesmo tempo mentirosa da vida do que acolher a verdade de nossas limitações e ações. E, a partir desse realismo maior ajustado à nossa condição, trabalhar para nos ajudar mutuamente a sair da mentira. Sinto o quanto para muitos a ilusão se tornou ‘sagrada’ e as dores humanas, e em especial as dores das mulheres que eles mesmos alimentam, são consideradas ‘profana’ e é até proclamadas como pecado ou profanação da vida. Os prelados não tocam os corpos reais, as histórias reais, as mulheres de carne e osso com suas misérias e qualidades, com suas grandezas e pequenezes. Giram em torno de princípios abstratos e com eles continuam cúmplices dos sistemas de opressão e das políticas excludentes que louvam apenas uma ideia de vida, mas amaldiçoam as vidas reais, seus escorregos contínuos e seus breves prazeres. Assim os que julgam as outras em nome de Deus talvez acreditem que eles mesmos são puros, que defendem a transcendência da vida, a ética divina. Mas de qual vida defendem a transcendência? Na mesma linha se arrogam igualmente o direito de julgá-las e de proibir que leis justas de cuidado provindas do Estado possam ajudá-las a viver e seguir assumindo o atribulado curso de suas vidas.

Menina de 9 anos estuprada pelo pai. Grávida!

Jovem perseguida por uma gang e estuprada por 5 homens. Grávida!

Mãe de 3 filhos com problemas graves de saúde. Grávida!

Religiosa estuprada por seu confessor. Grávida!

Milhares de mulheres pobres mortas por abortos clandestinos mal feitos! Mulheres pobres condenadas e aprisionadas por escolherem caminhos abortivos de proteção de si não legalizados! Ódios de homens e de mulheres contra mulheres que abortaram!

Sem dúvida alguns dirão que em caso de estupro ou mal formação fetal as leis do país permitem a interrupção da gravidez, porém sabemos também que a burocracia para a verificação dos diferentes casos é um tormento para as pobres que vivem o problema.

Apostar na capacidade e no critério das mulheres envolvidas em situações trágicas e nos critérios das pessoas que as ajudam deve ser um comportamento que indica solidariedade e compreensão da bondade que também nos habita. A ajuda mútua e a solidariedade efetiva ainda brotam em nosso chão!

Muitos dos senhores e muitos grupos sociais seguem vivendo em renovadas ilusões, defendendo-se contra uma compreensão mais integral e complexa da vida. Não ouvem os clamores reais das mulheres e, no entanto, dizem ‘ouvir os clamores do povo’ e ‘fazer a vontade de Deus’. Como fazem isso frente aos diferentes problemas que nos assolam?

Nessa linha ouso dizer que o JAMAIS dos bispos declara a morte dessas mulheres. Condena-as ao julgamento da terra e ao fogo do inferno. Impede a aprovação de leis mais justas necessárias à manutenção precária da vida.

Mais uma vez, que dizem e fazem de concreto os bispos com os estupradores? Acaso os procuram, conversam com eles, têm diretivas para eles? Falam da vida que desrespeitaram? Propõem caminhos de educação? Talvez essa seja uma pauta importante a ser proposta e desenvolvida!

Senhores bispos e outros responsáveis revejam sua lógica filosófica, revejam o reducionismo de seu pensamento cristão e o limite imaginário de sua teologia. Apegados a seus princípios, os senhores se negam a enfrentar-se às dores reais do mundo, ao sofrimento das mulheres, às vítimas da humanidade contra ela mesma. O desprezo à causa das mulheres em nome de um princípio imaginário tornado absoluto os conduz cada vez mais a uma representação falsa e decadente do Evangelho de Jesus que aceitou os limites e contradições da vida lembrando-nos de atirar a primeira pedra se nos julgamos santos ou inocentes de qualquer pecado.

Consentir aos nossos limites inevitáveis abre as portas da misericórdia e da solidariedade humana. De fato, não somos inocentes. Sabemos bem disso. E sabemos o quanto os jogos do poder e a adesão a Narciso são sedutores também para os clérigos e epíscopos que dizem obrar em nome de Deus. É muito cômodo usar da condenação das mulheres como arma para defender a vida de um provável devir de ser humano. E é também mais cômodo atribuir a Deus as suas decisões rígidas sem abrir as portas do coração à compaixão necessária à sobrevivência humana e do planeta.

Acolhamos a finitude de nosso mundo humano, único lugar onde o amor para além das leis é possível. Não temamos as causas que nos movem as entranhas, que nos enchem de calafrios, de dúvidas e de medos. Não temamos colocar-nos no lugar daquelas que sofrem, a imaginarmo-nos em seus corpos, em suas carências, em suas angústias, em seus temores diários. Não temamos ser imperfeitos, visto que não podemos ser perfeitos. O amor é sempre imperfeito e aí está a sua força renovada e renovadora.

Este é o nosso limitado mundo e é nele que há que escolher as causas que abraçamos e acolher sobretudo que nada é puro, mas apenas misturado e limitado. Porém, ainda ouso dizer para concluir: quando nossa fraqueza for grande demais e as trevas da confusão nos atingirem e impedirem de falar com propriedade é melhor escolher o silêncio do que levantar impropriamente a voz e impedir o caminho e as escolhas que representam a luta vital de muitas pessoas. Calar pode ser também um caminho que freia as tentações absolutistas do JAMAIS dos senhores.

Fonte: INSTITUTO HUMANITAS UNISINOS

aborto_Foto-Agencia-Uno

As fantasias e elucubrações sobre o conceito JAMAIS no pronunciamento da CNBB

“É muito cômodo usar da condenação das mulheres como arma para defender a vida de um provável devir de ser humano. E é também mais cômodo atribuir a Deus as suas decisões rígidas sem abrir as portas do coração à compaixão necessária à sobrevivência humana e do planeta”, escreve Ivone Gebara, religiosa pertencente à Congregação das Irmãs de Nossa Senhora, filósofa e teóloga, que lecionou durante quase 17 anos no Instituto Teológico do Recife – ITER e que dedicou-se a escrever e a ministrar cursos e palestras, em diversos países do mundo, sobre hermenêuticas feministas, novas referências éticas e antropológicas e os fundamentos filosóficos e teológicos do discurso religioso.

Eis o artigo.

Escrevem os bispos católicos brasileiros a respeito da ADPF ou Arguição de Descumprimento do Preceito Fundamental e da posição da ministra Sra. Rosa Weber que foi a favor da descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação.

“Jamais aceitaremos quaisquer iniciativas que pretendam apoiar e promover o aborto”.

“Jamais um direito pode ser exigido às custas de outro ser humano, mesmo estando apenas em formação”.

“Se até hoje o aborto não foi aprovado como querem os autores da ADPF não é por omissão do Parlamento, senão por absoluta ausência de interesse do povo brasileiro, de quem todo poder emana, conforme o parágrafo único do artigo primeiro da Constituição Federal”. (Cf. Nota da CNBB – Vida: direito inviolável – 14 de setembro 2023)

Atrevo-me a comentar em grandes linhas esse texto que me moveu as entranhas de tristeza e espanto frente a ‘insustentável leveza” de seus argumentos. Um pensamento tão categórico e tão cheio de argumentações conclusivas e limitadas como esse merece uma breve reflexão filosófica feminista como convite ao pensamento. Exige que abramos pequenos espaços de reflexão sobre a moralidade e religiosidade que marcam nossas condutas no interior do complexo pluralismo no qual vivemos. O pluralismo atual convida-nos a uma reflexão que vai mais além de nossas velhas tradições, convicções e temores muitas vezes implantados em nós como uma segunda ou até primeira natureza. Convida-nos a uma atenção mais aguda aos valores que dizemos viver e sua real possibilidade traduzidos como comportamentos habituais.

questão do aborto é apenas a ponta de um iceberg que toca a compreensão que o cristianismo patriarcal tem dos seres humanos e das forças que o constituem. Compreensão significa pensamento e pensamento situado e datado a partir dos vários aspectos da vida humana. Compreender é apreender algo a partir da situação vivida. Por exemplo, se falamos que somos seres violentos por natureza, muitos imediatamente tentarão negar isso e afirmar a perfeição através da chamada ‘não violência’ como se a oposição não estivesse contida na própria afirmação.

Uma lógica dualista persiste na formação filosófica e teológica dos prelados que não conseguiram ainda apreender na prática a unicidade e interdependência de tudo com tudo. A não violência é também uma sementeira de violências. E é isso que está presente também nas elucubrações absolutas e dogmáticas dos senhores bispos fundadas em uma limitada compreensão da chamada ‘vontade divina’.

Sabemos bem que todo problema nasce de uma situação dada. Se modificamos a situação modifica-se o problema e até a possível solução. Dependendo da situação um suicídio pode ser válido, diante de outra situação matar pode ser uma saída frente a uma ameaça que exija defesa da própria vida. Servir o exército e ser convocado para uma guerra é admitir que se pode matar o outro considerado inimigo. E nas muitas ‘guerras santas’ empreendidas também pela Igreja Católica aliada dos poderes estabelecidos, jovens guerreiros sabiam que iam matar ou morrer. Por isso, o uso do jamais é uma petição de princípio dentro da mais elementar lógica clássica, uma petição de princípio também inaceitável dentro da lógica do próprio Evangelho que os bispos afirmam conhecer, difundir e amar.

Por que pensam ou falam especificamente de crime e de defesa da vida quando se trata de interrupção da gravidez? O que sabem das razões e situações das várias interrupções da gravidez? É quem são as pessoas vítimas das advertências dos bispos?

E mais, por que culpabilizam as mulheres e se esquecem dos homens, dos estupradores, da violência impetrada continuamente contra mulheres e crianças? Por que se arvoram a exigir do Estado laico a obediência às suas normas religiosas e não exigem cuidados e direitos às cidadãs e aos cidadãos marginalizados ou excluídos?

Além disso, sabemos bem que na prática quem tem dinheiro tem direito ao aborto! Para que possui o ‘vil metal’ esse procedimento é tornado legal, pois não sofre nenhuma censura pública. O dinheiro é capaz de encobrir tudo o que não se quer mostrar e dar a impressão de legalidade. Por essa razão bem conhecida, me parece que os bispos dirigem sua advertência à população pobre, notadamente aquelas mulheres vítimas da falta de condições econômicas que precisam se sujeitar às leis do país e aos diferentes grupos que as manipulam para terem um tratamento de saúde minimalista. É triste constatar isso quando gastamos anos na Igreja Católica falando da opção preferencial pelos pobres!

Não poderíamos pensar a partir de outra lógica entre as muitas que povoam nossas vidas e culturas? Porque não pensar que a vida nos obriga muitas vezes a escolher no imediato e, escolher não é sempre escolher o melhor, mas aquilo que é possível na luta pela sobrevivência de cada dia. É como ter que privilegiar uma vida e não outra por múltiplas razões. É assumir o limitado e triste poder de ter que privilegiar ou até substituir uma vida pela outra e afundar-se na imperfeição dos seres humanos, dos nossos limites, de nossa precária imanência constitutiva, nas dores e dúvidas que tudo isso nos causa.

interrupção da gravidez poderia ser considerada uma substituição de uma vida em germe por outra com responsabilidade social, com obrigações, direitos e deveres, com história vivida, com escolhas, com certa independência e responsabilidade de vida. Os argumentos sempre podem conter dúvidas, porém a dúvida é parte da vida e dos riscos que vivemos. Alguns homens cristãos nos campos de concentração foram capazes de morrer para que outros vivessem sobretudo em eventos de troca de prisioneiros. É uma vida por outra e isto está bem presente na tradição cristã e em outras tradições.

Um pai aceita morrer doando ao filho um órgão vital para transplante. Uma mãe prefere morrer para que a filha viva. Essa ‘troca’ está na lógica da vida e da tradição do Movimento de Jesus a partir da qual até se afirmou que Jesus morreu por nós.

O espantoso é que os homens da Igreja, sobretudo alguns que detêm responsabilidades religiosas e sociais, não percebem que a lógica do JAMAIS está distante da vida ordinária que vivemos. Continuam usando uma lógica absoluta sobretudo quando se trata da vida das mulheres. Por quê? De onde nos vêm esse privilégio às avessas?

Vida e morte estão absolutamente entrelaçadas, é obvio. Por isso, temos que fazer as perguntas que podem ser respondidas de forma sempre diversa pelas pessoas de nosso tempo. O JAMAIS não responde a nada. Apenas levanta muros, cria ilusões, falsos argumentos e mentiras. Por isso, suspeito que há um outro fundo oculto do problema nesse problema do aborto abordado pelos bispos. E este se chama sexualidade ou simplesmente sexo. No fundo o cristianismo sobretudo católico sempre temeu a força vital do sexo por sua impressionante magnitude, pelo lugar que ocupa nas relações humanas, pelo inebriamento e atração dos corpos que provoca sobretudo naqueles que prometeram viver como célibes negando ou renunciando a essa força em si mesmos. A negação do sexo seria a negação do prazer, a negação do prazer corpóreo, da natureza constitutiva dos corpos. Seria a pretensão de viver para além do corpo no corpo, seria fazer-se ‘eunuco pelo reino de Deus’, como costumam dizer. Filosoficamente seria a oposição e luta contínua entre espírito e matéria apostando-se na vitória do espírito.

Entretanto, quando o sexo se apresenta de forma violenta trazendo as consequências de uma gravidez, castiga-se a vítima, sobretudo a menina, a mulher porque ela é considerada a tentadora, ela é a iniciadora da confusão dos corpos e é dela que depende em grande parte a continuação da espécie. Os velhos fantasmas do sexo voltam e buscam os dogmatismos para defender-se da verdade que habita no fundo de cada uma/um de nós.

O princípio idealista e imaginário do respeito absoluto à vida vem então à tona e se apela a ele como última instância legisladora dos comportamentos. Não se percebe que a mobilidade da vida com suas afirmações e negações está presente nesse princípio como uma espécie de horizonte para o qual tendemos e tentamos caminhar sempre. Da mesma forma, o sistema arcaico de pureza que se impôs na Igreja e se impõe ainda hoje leva a continuas transgressões de comportamento e falsidades discursivas que acabam atingindo sempre a vida dos mais pobres.

A crise existencial está instaurada de diferentes maneiras, inclusive no apego aos dogmatismos e moralismos que se manifestam em muitas instituições religiosas. Não se ousa mudar porque perde-se poder e perde-se o frágil equilíbrio pessoal e institucional. Então se fala em JAMAIS e se argumenta através de perfeições impossíveis.

A ambiguidade da vida, os limites da condição humana, as mentiras que nos sustentam assim como as verdades exigem de cada um/uma de nós o esforço para sair de uma fé imaginária, de uma afirmação ilusória das exigências de Deus que sustenta o poder de muitos. Sei que estou talvez pedindo muito, porém um esforço em vista de acolher o que é ‘nossa vida de fato’ e não apenas o que ‘deveria ser’ poderia se tornar um processo educativo transformativo e eficaz em vista do bem comum.

Infelizmente a real situação da vida de muitas mulheresadolescentes e crianças cuja vida é constantemente ameaçada, inclusive pelos detentores do poder religioso, nos levam a perceber o quanto é mais fácil preferir uma ilusão, uma imagem aparentemente justa mas ao mesmo tempo mentirosa da vida do que acolher a verdade de nossas limitações e ações. E, a partir desse realismo maior ajustado à nossa condição, trabalhar para nos ajudar mutuamente a sair da mentira. Sinto o quanto para muitos a ilusão se tornou ‘sagrada’ e as dores humanas, e em especial as dores das mulheres que eles mesmos alimentam, são consideradas ‘profana’ e é até proclamadas como pecado ou profanação da vida. Os prelados não tocam os corpos reais, as histórias reais, as mulheres de carne e osso com suas misérias e qualidades, com suas grandezas e pequenezes. Giram em torno de princípios abstratos e com eles continuam cúmplices dos sistemas de opressão e das políticas excludentes que louvam apenas uma ideia de vida, mas amaldiçoam as vidas reais, seus escorregos contínuos e seus breves prazeres. Assim os que julgam as outras em nome de Deus talvez acreditem que eles mesmos são puros, que defendem a transcendência da vida, a ética divina. Mas de qual vida defendem a transcendência? Na mesma linha se arrogam igualmente o direito de julgá-las e de proibir que leis justas de cuidado provindas do Estado possam ajudá-las a viver e seguir assumindo o atribulado curso de suas vidas.

Menina de 9 anos estuprada pelo pai. Grávida!

Jovem perseguida por uma gang e estuprada por 5 homens. Grávida!

Mãe de 3 filhos com problemas graves de saúde. Grávida!

Religiosa estuprada por seu confessor. Grávida!

Milhares de mulheres pobres mortas por abortos clandestinos mal feitos! Mulheres pobres condenadas e aprisionadas por escolherem caminhos abortivos de proteção de si não legalizados! Ódios de homens e de mulheres contra mulheres que abortaram!

Sem dúvida alguns dirão que em caso de estupro ou mal formação fetal as leis do país permitem a interrupção da gravidez, porém sabemos também que a burocracia para a verificação dos diferentes casos é um tormento para as pobres que vivem o problema.

Apostar na capacidade e no critério das mulheres envolvidas em situações trágicas e nos critérios das pessoas que as ajudam deve ser um comportamento que indica solidariedade e compreensão da bondade que também nos habita. A ajuda mútua e a solidariedade efetiva ainda brotam em nosso chão!

Muitos dos senhores e muitos grupos sociais seguem vivendo em renovadas ilusões, defendendo-se contra uma compreensão mais integral e complexa da vida. Não ouvem os clamores reais das mulheres e, no entanto, dizem ‘ouvir os clamores do povo’ e ‘fazer a vontade de Deus’. Como fazem isso frente aos diferentes problemas que nos assolam?

Nessa linha ouso dizer que o JAMAIS dos bispos declara a morte dessas mulheres. Condena-as ao julgamento da terra e ao fogo do inferno. Impede a aprovação de leis mais justas necessárias à manutenção precária da vida.

Mais uma vez, que dizem e fazem de concreto os bispos com os estupradores? Acaso os procuram, conversam com eles, têm diretivas para eles? Falam da vida que desrespeitaram? Propõem caminhos de educação? Talvez essa seja uma pauta importante a ser proposta e desenvolvida!

Senhores bispos e outros responsáveis revejam sua lógica filosófica, revejam o reducionismo de seu pensamento cristão e o limite imaginário de sua teologia. Apegados a seus princípios, os senhores se negam a enfrentar-se às dores reais do mundo, ao sofrimento das mulheres, às vítimas da humanidade contra ela mesma. O desprezo à causa das mulheres em nome de um princípio imaginário tornado absoluto os conduz cada vez mais a uma representação falsa e decadente do Evangelho de Jesus que aceitou os limites e contradições da vida lembrando-nos de atirar a primeira pedra se nos julgamos santos ou inocentes de qualquer pecado.

Consentir aos nossos limites inevitáveis abre as portas da misericórdia e da solidariedade humana. De fato, não somos inocentes. Sabemos bem disso. E sabemos o quanto os jogos do poder e a adesão a Narciso são sedutores também para os clérigos e epíscopos que dizem obrar em nome de Deus. É muito cômodo usar da condenação das mulheres como arma para defender a vida de um provável devir de ser humano. E é também mais cômodo atribuir a Deus as suas decisões rígidas sem abrir as portas do coração à compaixão necessária à sobrevivência humana e do planeta.

Acolhamos a finitude de nosso mundo humano, único lugar onde o amor para além das leis é possível. Não temamos as causas que nos movem as entranhas, que nos enchem de calafrios, de dúvidas e de medos. Não temamos colocar-nos no lugar daquelas que sofrem, a imaginarmo-nos em seus corpos, em suas carências, em suas angústias, em seus temores diários. Não temamos ser imperfeitos, visto que não podemos ser perfeitos. O amor é sempre imperfeito e aí está a sua força renovada e renovadora.

Este é o nosso limitado mundo e é nele que há que escolher as causas que abraçamos e acolher sobretudo que nada é puro, mas apenas misturado e limitado. Porém, ainda ouso dizer para concluir: quando nossa fraqueza for grande demais e as trevas da confusão nos atingirem e impedirem de falar com propriedade é melhor escolher o silêncio do que levantar impropriamente a voz e impedir o caminho e as escolhas que representam a luta vital de muitas pessoas. Calar pode ser também um caminho que freia as tentações absolutistas do JAMAIS dos senhores.